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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

07
Ago17

Verão fúnebre

Rita PN

Oh pátria, herege pátria!
Passasse um cometa no teu rosto sepulcral…
Soasse longínqua a harpa de Orfeu
e chovesse, pela mão direita de Zeus,
sobre os teus cabelos de ouro,
águas mansas de cristal.
Deserta até ao osso,
trás o verão a morte à terra,
notas graves, cânticos de fogo,
severa estiagem, fundo sem posso
ventos mortais, cinzas na serra,
secas estivais, a sede impera…
- Ansiada quimera! – grita o Homem sem condenação,
assistindo ao enterro da Fénix,
cem vezes morta pela mesma nação.
Corações descalços caminham sobre a cinzas;
choram-se lágrimas cansadas sobre a semente do pão;
Heróis de cá e lá empenham as suas vidas
em cenários de horror e destruição.
(E tu a ver...)

 

Na Era do sabichão, letais são mãos da razão.

 

04
Ago17

Abandono

Rita PN

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Em terra de pouca sorte,
insípida p’las águas do pranto,
dizia o vento - que corria parado -
memórias cansadas,
ao entardecer da vida num banco
de praça, deserta e despida,
tricotando, incerta, a nudez
da memória de outrora, esquecida.

 

E à luz da janela improvável,
na cal já gasta esculpida,
vivia de língua amputada
o silêncio da despedida.

Rita Palma Nascimento

19
Jul17

Diz-me, o que é que te diferencia?

Rita PN

Vivemos, boa parte do tempo, julgando-nos - a nós e aos outros - sob parâmetros errados e pré-estabelecidos de ideais de sucesso e aptidões pessoais. 
Da mesma forma, são poucos os que não seguem o rebanho e param para refletir sobre qual é, afinal de contas, a sua genealidade. Essa característica inata, pautada por habilidades e talentos intrínsecos, capazes de tornar únicos os seus detentores. 

Ambicionar ser bom em tudo, sempre foi meio caminho para não se ser óptimo em nada. Aí reside a importância de nos questionarmos e apostarmos naquilo que nos pode, efetivamente, distinguir e fazer sobressair social e profissionalmente entre os demais: os nossos talentos inatos. A genealidade de cada um.

Diz-me, o que é que te diferencia?

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18
Jul17

Abarcar

Rita PN

É preciso escrever com as mãos limpas
o eco da poesia que corre
entre as margens de erro da vida;
e emendar o céu... 
com o olhar simples
de quem apanha as estrelas distraídas
e voa, para que se abracem,
encurtando a distância
que, sob qualquer circunstância,
cabe inteira num poema.
Sem fragmentos, respiração suspensa
e uma história imóvel
entre os gracejos de um copo de vinho
que aviva veloz, a memória da tua voz
doce e calma a léguas de mim…
É preciso corrigir a lonjura sempre que chove
e o dilúvio da cidade solitária se abate sobre os nossos corações.
… escorrem as emoções, ao sul
desaguando no mar azul
que te tráz...
e só termina nos meus olhos.

Abarca-me.

14
Jul17

A última a morrer

Rita PN

Chego-te, através do horizonte
leve, ténue e casta brisa
profetisa,
envolta em névoa que solta,
te toca sem te tocar.
Em tudo me sentes.
Em nada me vês.
Mas crês que existo
e que de longe venho
contendo arte e engenho
(não olhas para trás).

 

Três passos mais perto
do fim do deserto
e miragem, ainda sou...
Reflectindo uma imagem
de sonho e coragem
que contigo acordou.
Não páras.
Sempre adiante,
filha de um acreditar constante
(não há tempestade que te apague).

 

Ao longe, o horizonte
em ti, uma fonte
onde bebes de mim...
... crês-me, sem fim
e chamas-me Esperança

28
Jun17

Amores da Madrugada

Rita PN

Notas soltas, melodias de amor
por lírios roxos cantadas
às rosas murchas da madrugada;
desfolhadas por ventos mundanos
a quem, seduzidas por falsos encantos, se deram
levadas p'lo cetim vermelho
do breve toque na fragilidade do coração.

 

De pétalas frias, sombrias e hirtas no chão,
choram candidas, lágrimas de sangue
sobre a carpete encarnada, 
manchada p'la inocência roubada
na flor da juventude. 
Apaixonadas que se julgaram 
p'lo assobiar do vento bandido
que, de sentimentos despido, 
lhes tirou a Primavera.

 

Lírios roxos cantando,
Rosas murchas chorando
Melodias de amor, de madrugada.

 

26
Jun17

Em Frente

Rita PN

Em frente, olha em frente para o caminho
dos lados, nada. Apenas uma mão
que se estende e te leva, calmamente e adiante
pelos buliçosos e cegos caminhos do coração.

Olha em frente para o destino,
para lá da curva da estrada, das intempéries idas
e do nevoeiro das manhãs outonais, que se esvai
tão depressa quanto a própria vida,
distraída, por aí…

Em frente!
Mesmo quando não vês
mais do que o ontem, talvez
possas abrir as cortinas
e pintar a aguarelas as memórias findas
e escrever degraus em verso,
aqueles de onde caíste, avesso
a tudo o quanto tinha que assim ser.
… e continuar a vencer
… e continuar a crescer
… e continuar a sorrir
… a amar e a sentir
que é em frente o caminho a seguir.

Olha de fronte para o sol,
mesmo que cego estejas
p’la escuridão onde viveste.
E respira devagar a Primavera
que te espera, para lá das minúsculas misérias
de uma Era de tragédias apressadas,
galgadas que foram as margens do valores
ancestrais e dos princípios boreais
da aurora da humanidade.

Em frente, olha em frente para o caminho.
Nunca nele estarás sozinho,
se souberes coser em abraços
os laços que jamais se irão desfazer.
Em frente, por onde a soma de dois é um
e o amor é o lugar comum
ao coração dos Homens
que em jejum, renunciaram à aceitação
do afeto.

Em frente.

22
Jun17

Dá-me tua mão

Rita PN

Agora, difícil é expulsar o frio do inverno que parece ter atravessado o calendário, para além do seu tempo, instalando-se nas almas de quem ficou e viu partir, em cinzas, as suas primaveras.

 

MAUS TEMPOS

Agora nos calamos
E já não mais cantamos.
Nosso passo é pesado.
É a noite, o seu tempo é chegado.

Dá-me a tua mão,
Talvez que seja longo este caminho ainda.
E a neve cai, a neve!
O inverno em terra estranha nunca finda.

Onde está o tempo
em que uma luz, um lar por nós ardia?
Dá-me a tua mão.
Talvez seja longo este caminho ainda.

Herman Hess

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