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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Silêncios

Há nos meus lábios cansaços 
do parco significado das palavras
ditas a vermelho
em frente ao espelho,
já sem reflexo e vazio de mim.
Não me é o bastante, a cegueira.
É-me mais que precisa a surdez
e a total insensatez, para as tomar de vil maneira
que não me assalte a memória
o tom sangrento dos teus lençóis de cetim.
Foi neles que sucumbi
refreada pelo batom carmim
que degustavas, mas não sentias,
com que eu falava e tu não ouvias,
morrendo o sonho entalado
entre os lábios que mordias.

 

Desgastada, ganhei nos lábios cansaços 
enjoados do cheiro das palavras moribundas
que enterrei no teu jardim
prevendo o fim, de uma semente que não germinou
e se calou, rendida ao silêncio que se ajustou
e se moldou perfeitamente a cada quadrante de mim,
trazendo-me a liberdade para ser quem realmente sou.

(Só o silêncio se ajusta perfeitamente a cada coisa).

Falácias do amor

Cheira o orvalho ao teu perfume
e a tua boca ao aroma do café da manhã
que me acorda, com ciúme
do cantar do rouxinol que no galho assume,
os contornos do canto do teu corpo de pagã.

Queria eu cantar-te assim 
e tocar-te, pauta de cinco sentidos
entre os lábios
com gestos sábios dos dedos molhados
que em ti deslizam, como proas de barcos
salgados no Tejo ao sol poente.
Como são fáceis de alcançar
os tectos da cidade que há em ti,
quando me inundas de estrelato
o palato da boca que crepuscula
nos teus seios
abrindo portas a noturnos devaneios
a que me entrego no teu jardim.
Entre lençóis de luar e cetim
num frenesim de corpos suados
e condenados no fim
às falácias do amor.

Foi já sem sabor, que ele lhe bebeu
nos lábios desnudos de rubor,
o esfriar do último café. 

Sem mais, sem menos

 
 
 

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Não creio que sejas tu mais do que outros.
Tao pouco que exista alguém que a mais se eleve
se posto lado a lado com o mendigo
que dorme ao relento da vida,
envolto no sopro de um cobertor de memórias
sob um alpendre que lhe ignora, irrisórias
as tempestades e intempéries que o papelão abriga.
Casa sem tecto e paredes de papel onde o coração dormita.

 

Chego a invejar-lhe o corpo e alma,
essa que sente tudo o quanto por ela passa
por mais ínfimo que seja,
por mais desprezível que nos pareça
por mais banal que se tenha tornado às nossas mãos.
Um corpo sem se nãos, que com pouco se enjeita
de alegria partilhada
e onde nunca o supérfluo se ajeita;
Aos contornos, frequentemente largo
o amargo cheiro das pregas vazias.
Assim se parece a nossa necessidade de enchumaços,
pecados de luxuria pendurados
nos ombros, nos braços e enchendo-nos a barriga.
Almofadados os pés,
enterrados que estamos em créditos até aos joelhos
para bem-parecer até às orelhas.

 

Não creio que seja ele menos do que tu,
ou eu mais ou menos que qualquer um de vós.
A diferença entre nós mora num arranha céus
de cem andares. Onde somos vizinhos.
No rés-do-chão sente-se pouco,
E os que muito sentem, escolheram o rés-do-céu para viver.
E sonhar no centésimo andar, a contar do vale dos mortos.
Não creio que tenhamos nós mais do que eles.
Se uns têm mais alegria, outros têm mais prostração;
Se uns têm mais tempo, noutros é maior a dilação;
Se uns doam mais sorrisos, outros fazem as lágrimas florir
sem sentir, que todos nós temos alguma coisa
entre nascer e morrer. Espaço cronológico que nos limita a existência.
Pode apenas ser ar nos pulmões,
essa qualquer coisa que temos.
Mas temos. E dar-lhe-emos valor?

 

… é amor do Criador, o oxigénio que a todos brinda, por igual.

Retrato de uma vida

Fui ao baú para vos deixar um poema escrito aos 14 anos de idade.

 

Na escuridão negra e profunda

dos dias longos que se vão arrastando,

por entre espinhos e aguçados caminhos

dos anos tristes que foram passando,

sempre existirão momentos iluminados,

pequenos diamantes no céu, luzindo

que num manto tão negro, tão escuro,

não passam de pirilampos fugindo.

 

Nas trevas da escuridão fechada,

há uma porta estreita, abrindo

caminho ao passar do cinzento

de um ano que ainda vem vindo.

Atravessam-na fantasmas,

homens de branco e distantes,

espreitam por ela soldados,

homens de verde e perturbantes.

Avançam sem permissão,

disparando, ferindo, amarrando…

Pensando que, pois então,

só assim conseguirão

a paz dentro do meu coração.

 

Enganados pelo instinto recuam

Com calma.

- DEIXEM DERRETER A DOR!

Sarar as feridas, as marcas das balas;

os vergões inchados do coração sem amor

que ainda é noite! 
E o mundo dorme. 
E dorme a alma.

E tudo dorme, até a vida,

Na agitação da noite calma

( shh, não acordes vivalma)

espera p'lo nascer verde do dia.

Reflexão - 14

O final é apenas isso, a ausência de sentidos.
Já não se vê, já não se ouve, já não se toca nem se sente o sabor, já não cheira... ao que foi. Já não é.
O esquecimento é simples. E ocupa tão pouco espaço. Cabe no intervalo entre deixar de sentir para não voltar a lembrar.
Se temo que me esqueçam? Não. Temo que não me saibam sentir.

Rita

Bonecas de corda

 

 

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Naquela manhã todos se pareciam com bonecas de corda. Bem vestidos, cara lavada, cabelo escovado e alinhado, focados e rodopiando sem desvios, em torno das suas vidas. E nós aplaudíamos, levados pela melodia das histórias feitas, ensaiadas e tão poucas vezes dançadas ao ar livre.
Vinte minutos era o espaço de tempo decorrido entre o puxar da corda e a vénia final. Na verdade, cada um dos oradores presentes resumia-se isso, vinte minutos. E o que é um orador de histórias contratadas senão apenas o tempo que demora a passar? Não nasceu antes, nem morrerá depois. Foi ali criado, aliciado pela moda de debitar palavras emotivas. Sinceramente não as entendo. Às palavras. Não aos oradores, que esses são de corda como as bonecas, vestem a dança e morrem no instante em que corda finda. Nem antes, nem depois. Exatamente ali.
No meu tempo enforcavam-se, com palavras é certo. Não sei se será a mesma coisa - corda por corda - mas julgo que sim.

Voltando às palavras, dizia eu que não as entendo. Deram em emotivas? Essas modas que agora seguem. Ali estão enquanto servem, usadas e abusadas por quem escreve e lê e por quem fala e ouve. Depois, cai a moda e abrem-se valas comuns, onde se enterram as ditas, já desgastadas. Mas tal como é costume nas boas modas, logo estarão outras de volta, aquelas que já anteriormente haviam sido usadas e que mais adiante voltarão novamente sê-lo.

 

Das modas e das palavras já sabe que vão e vêm.

 

Fazem-me lembrar os namoros de hoje em dia. Já eu o disse à minha neta. Correm, correm, correm que se farta. Estão sempre cheios de pressa. Para chegar aonde é que eu ainda não percebi. Todos se parecem perder pelo caminho. Quando voltam, já trazem outro pelo braço. Ainda a semana passada lhe perguntei se era ruim o piso do caminho de agora. Tão coxos que os vejo do coração. É no que dão as pressas.
Namorados e oradores são todos bonecas de corda. Bem ensaiadas. Em vinte minutos. Que é o tempo que eu tenho até morrer.

 

Derramem-me o castanho da capa de um livro por cima, deixem-no inundar a manta com que à noite me tapo e permitam-me cheirar a terra fértil molhada, mas não me fechem já o caixão! Ainda não, que ainda quero a última dança. O meu palco final é castanho e a vida só dura vinte minutos.

 

Beja Merece!

 

 

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Fomos centenas, os cidadãos que silenciosa, ordeira e respeitosamente, acolhemos o Sr. Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, na sua visita oficial à trigésima quarta Ovibeja.
Unidos por uma causa comum, em prol do desenvolvimento da cidade e respectiva região.

+Acessibilidades
+Desenvolvimento
+Aeroporto
+Comboio
+Saúde

Obrigada a todos os que se mobilizaram, porque #BEJAMERECE+


De seguida, deixo-vos as causas e os fundamentos que, ao longo dos anos, têm desencadeado as nossas mais diversas reivindicações. 

  • Comboios e eletrificação da linha férrea:

    O comboio chegou a Beja no ano de 1864, desde aí e até ao ano de 2004, a ligação a Lisboa era feita de forma indireta. A linha terminava no Barreiro, onde era feito o transbordo de barco até à capital.
    A partir desse ano e após a entrada em funcionamento da linha ferroviária na Ponte 25 de Abril, tiveram início as ligações diretas ente Beja e Lisboa, confortavelmente a bordo dos comboios intercidades. Uma viagem rápida e agradável, sem o constrangimento e a demora do transbordo. Esta nova ligação não só beneficiava os habitantes da capital do Baixo Alentejo, como também dos concelhos vizinhos, caso de Cuba, Alvito e Viana do Alentejo.

    Estudava em Lisboa nessa altura e recordo a lotação do comboio tantas vezes esgotada. Meio de transporte de eleição para jovens estudantes, empresários, famílias, doentes a carecer de cuidados de saúde apenas existentes na capital ou para um simples passeio.

    Julgámos que o progresso havia finalmente chegado, não fosse esta mesma ligação ter sido suspensa no decorrer de maio de 2010, para não mais ser reativada.
    Desde essa data até ao presente, sete são os anos em que a deslocação se faz a bordo do desconforto (e constantes avarias) de uma automotora com mais de 50 anos, até Casa Branca, onde é feito o transbordo para o intercidades da linha de Évora.
    Mas o desinteresse e desvalorização da linha férrea do sul não se restringe às ligações à capital, também o ramal de Moura, que servia tanto os habitantes deste concelho, como os do concelho de Serpa, foi desactivado no final do ano de 1989. Seguiu-se, em 2011, a ligação entre Beja e a Funcheira, que pôs fim à ligação férrea ao Algarve. Ligação esta que servia diversas localidades do sul do distrito.
    É necessário avançar com a eletrificação da linha e retomar as ligações diretas a Lisboa, porque #BEJAMERECE+


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  • A26 e outras acessibilidades rodoviárias:

    A A26 é outra das causas pelas quais o movimento #BejaMerece+ se debate. Uma autoestrada que deveria ligar Beja e Sines e que viu as obras paradas durante vários anos, depois das expropriações, das terraplanagens, dos viadutos e dos quilómetros já concluídos, tendo sido retomadas, de há alguns meses a esta parte, com 12 (doze) quilómetros de um troço não em autoestrada, mas em via rápida de quatro faixas sem portagens.
    Segundo António Ramalho, antigo presidente das Infraestruturas de Portugal, em 2015 justificava-se a suspensão das obras, uma vez que o tráfego seria inferior a “dez mil carros por dia”.
    É oportuno colocar a questão: “que tráfego justificou a construção de autoestradas como a A10, a A17 ou até mesmo a A13? E, comparativamente com 1 (um) quilómetro do Túnel do Marão, quanto custarão estes 40 (quarenta) quilómetros, em terreno claramente favorável a uma obra deste tipo?” - palavras de José Filipe Murteira, cidadão bejense e uma da vozes que integra o movimento #BEJAMERECE+ .

    A degradação do IP8 que liga Beja, Ferreira do Alentejo e a A2 é notória a quem por lá circula. O número acidentes de viação aumenta, assim como tem vindo a aumentar o número de mortes neste troço.
    Porque é necessário e temos direito a uma infraestrutura rodoviária segura e eficiente, é crucial concluir os 40 (quarenta) quilómetros da A26, que farão a ligação entre Beja e a A2.


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    IC27
    Ainda segundo José Filipe Murteira, “em 2005 foi concluído o plano de impacto ambiental da ligação do IC 27 entre Alcoutim e o IP2, próximo da Trindade, documento que custou mais de 400 mil euros. São cerca de 60 (sessenta) quilómetros que faltam concluir, ligando assim os concelhos de Beja e Mértola a Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António e melhorando também as ligações entre Évora e todo o interior a essa zona do Algarve.
    De acordo com o plano, o objectivo principal para a conclusão dessa via é o «aumento das condições de segurança e a diminuição do grau de sinistralidade», tendo em conta as caraterísticas da actual ligação, a EN 122.
    Os anos passaram e a obra não avançou, até que, em junho de 2012, uma fonte do governo de então, anunciou a sua suspensão definitiva, dado que o troço que falta ao IC27 se encontra «assegurado pela EN 122 e que, face à reduzida procura, essa estrada responde às necessidades existentes».
    Os vários acidentes, os mortos e feridos provam que afinal, isto não é verdade e que é necessário concluir o IC 27.”

 

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  • A população jovem no Concelho e Distrito de Beja

    No seguimento de um apelo ao jovens, feito através do meu perfil de facebook, tomei a liberdade de recorrer às estatisticas dos Census 2011 e divulgar os dados que considero de extrema importância:

    Em 1900 (há 117 anos) eram 4982 (quatro mil novecentos e oitenta e dois) os jovens com idade superior a 15 anos a residir no Concelho de Beja, sendo 30945 (trinta mil novecentos e quarenta e cinco) em todo o distrito.

    Em 1950 o número tinha duplicado e eram já 8454 (oito mil quatrocentos e cinquenta e quatro) no concelho e 53810 (cinquenta e três mil oitocentos e dez) no distrito. 

    Segundo este estudo, em 2011 o número de jovens a residir no Concelho de Beja caiu drasticamente para 3571 (três mil quinhentos e setenta e um) e para 15086 (quinze mil e oitenta e seis) no distrito.

    Decorrido um século, a população jovem no concelho regista mínimos nunca antes vistos o que, para mim, é deveras preocupante. Muito se deve à emigração, à procura de melhores condições de vida, à falta de emprego, à reduzida oferta educativa, à pouca estabilidade para que aqui nos fixemos e possamos construir uma vida mais digna, que nos permita realizações pessoais e profissionais e futuros mais promissores.

 

  • Aeroporto

    Sobre este tema já muito se falou. Não me vou alongar, deixo-vos um pouco da minha visão, aqui.

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Rosas de sonhos do vento

Vestiu a capa negra da noite
que julgou, outrora ver esquecida
no jazigo das recordações inférteis
das intempéries d'outra idade vivida. 
Olhou-se ao espelho, 
reflexo baço, vazio e semblante sombrio
de quem afastou de si o sol.
Reconheceu-se a ela, mas não a mim;
(menina que roubava flores no jardim)
vestia farrapos de sonhos
e tinha o passar dos anos emaranhado nos cabelos. 
Sem nexo. 
Apenas enleio
numa história que releio 
e cujas páginas se desfolham, 
como rosas
a quem não deram prosas
nem versos d'amor, com o mesmo calor
da verde esperança
com que a mão do meu coração as roubou
esta manhã no jardim.

Dispostas agora diante de mim,
cinco rosáceas de sonhos
nítidos (no mesmo baço espelho vazio),
refletem assim, ainda tenras,
as pétalas rosadas da face miúda
de quem seduziu
a espera, fantasiando possibilidades
e probabilidades
e que por isso viu,
na mesa das agulhas de marear do navio,
o ponteiro girar aos sete ventos,
entre os cardeais pontos perdidos
… e parar a nordeste.

(Era uma vez uma menina que roubava rosas de sonhos ao vento).

Amor à Liberdade

 

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-Aqui, somos todos loucos!

Dizem eles armados; versos na mão
punhais cravados,
amores baleados
por sentimentos minados
de pura ilusão.
Ardem-lhes as dores e as sombras do passado
secaram os jardins, anteriormente atravessados
por beijos molhados e olhares cúmplices
de um crime que só um louco viria a cometer – AMAR!
Só o rasto de pólvora da paixão e a putrefação das memórias ficou.
Cheiram a amoníaco as rosas da face, agora murchas,
e sangram os espinhos
outrora macios, se mordidos nos lábios
por desejos sábios, doravante enjeitados
pela morbidez lânguida da pele.
- Aqui somos todos loucos!
Gritam eles de armas na mão.
Assassinatos, extermínios, massacres, campos de concentração
de versos conjugados, em mares antes navegados
por sentimentos aguçados (agora renegados) e exulceração.

A última vítima do amor pela liberdade foi encontrada hoje, irreconhecível...
...Tinha um poema cravado no coração.

 

Tentações

Olhei-a, sentado no meu terraço
impávido e sereno,
cigarro aceso e um copo de bagaço,
antevendo o melaço do regaço daquela mulher.
Em pé, ombro apoiado na parede
mini saia preta e blusa de rede,
uma taça tinta de vinho na mão
e a cumplicidade de um Marlboro na outra. 
Sem infração, contou-me em silêncio segredos,
expondo-me os medos 
que ouvi e bebi, como se fossem minhas 
as pétalas de fumo que lhe nasciam nos lábios.
Embriagado pela subtileza dos gestos sábios,
cedi.
E fumei-lhe a espera,
num salgado jogo sem pressa 
ao leme da tentação.
Em maresia sem promessa...
entregues à ondulação,
dois corpos famintos,
em goles de beijos tintos
salgados instintos de prazer carnal.
Devoção em alto mar
até a onda rebentar...
... e a jusante da maré
lhes permitir regressar.
 

Amantes citadinos num terraço ao pôr-do-sol,
nus.
- Só a liberdade é necessária para amar!

Espero por ti ao pé da ponte

Esperei por ti ao pé da ponte
florida, na esperança vã enfeitada
se adentro p'lo mar dos meus olhos,
te visse vinte e oito passos apressada.

Chegavas-te a mim com três laranjas no regaço
em tom d'embaraço por não te saberes explicar,
na demora em me abraçar, cem braços de rio por navegar
mil palmos de terra por explorar
e dez mil milhas de sonhos por cumprir.
Deixei-te rir, nervoso miudinho
de quem não me conhece o dorso
e sabe que nele terá (quem)barcar.

Aqui, deste lado da ponte, não há quem sou.
Mas acolá, onde os pássaros cantam,
onde as flores encantam
e onde a humanidade nasce em ramos de alecrim,
há um jardim de sonhos encantados,
por mim semeados
- enquanto te esperava do lado de cá -
cantei o credo, cândida à fonte
para que os regasse, até que a hora chegasse
e em ti brotasse a vontade de me ter.
Felicidade que andais perdida com três laranjas no regaço...
em passo baço, de quem não luziu ao nascer.
Vem sentar-te nas minhas costas
e deixa-me ser escrava de tuas viris vontades
alimenta-me com o sumo da tua laranja
e deixa o excesso escorrer pelo meu queixo...

(não é desleixo) e lá em baixo,

no lazarento jardim dos meus sonhos,
será fértil tudo o quanto dele beber.

Vem, que por ti ainda espero ao pé da ponte.

Húmus

As minhas janelas não dão para lado nenhum.
Não há nada que se me mostre através delas,
as estradas e figuras que entrevejo,
não me levam a lugar algum…
perdeu-se o Homem e o ensejo
(lá no alto), pelo asfalto.

Há nos meus olhos cansaços vários
decorrentes do esforço exabundante
de sonhar desejos deficitários
p’la mão de Virgílio,
nas margens do Letes de Dante.

Constantemente me adio os escombros
inevitáveis, quando à meia, a noite cair
e o céu me esborrachar de vez a cabeça.
No inferno, todos se vão rir
e na terra, não há quem não me agradeça
a retirada.
Que maçada…
todos escolheram o domingo para morrer
e até nisso eu saí controversa.
Nem no princípio nem no fim. Exatamente a meio
onde a semana dispersa.
Avessa, pedi para assistir ao meu funeral,
enterraram-me, por isso, primeiro o caixão
(que dele quero morrer longe).
Queriam-me os sonhos em valas comuns?
Não.
Sequem as lágrimas choradas
e desacreditadas de religião.
A minha única fé é sonhar!
E quem sonha, nunca sonha em vão.

Alimentar-vos-á o húmus
da minha ressurreição
porque se morro, não morro toda de uma só vez
e o que por terra cai,
levantar-se-á outra vez
sem que vós me entendeis a mão.

Querem graça?
Peçam o óbulo à porta da igreja
que a vida não vai de bandeja
e eu 'inda estou no meu funeral.

 

As minhas janelas não dão para lugar nenhum.

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
(...)


Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(...)

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"

Cativar...

«XXI

Foi então que apareceu a raposa.
– Olá, bom dia! – disse a raposa.
– Olá, bom dia! – respondeu educadamente o principezinho, que se virou para trás mas não viu ninguém.
– Estou aqui, debaixo da macieira – disse a voz.
– Quem és tu? – perguntou o principezinho – És bem bonita…
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. – Estou triste…
– Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Ainda ninguém me cativou…
– Ah! Então, desculpa! – disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar.
– “Cativar” quer dizer o quê?
– Vê-se logo que não és de cá – disse a raposa. – De que andas tu à procura?
– Ando à procura dos homens – disse o principezinho. – “Cativar” quer dizer o quê?
– Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar – disse a raposa. – É um grande inconveniente! E também fazem criação de galinhas. Aliás, na minha opinião, é o único interesse deles. Andas à procura de galinhas?
– Não – disse o principezinho. – Ando à procura de amigos. “Cativar” quer dizer o quê?
– É uma coisa de que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer “criar laços”…
– Criar laços?
-Sim, laços – disse a raposa. – Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti…
– Parece-me que estou a perceber – disse o principezinho. – Sabes, há uma certa flor… tenho a impressão que ela me cativou…
– É bem possível – disse a raposa. – Vê-se cada coisa cá na Terra…
– Oh! Mas não é na Terra! – disse o principezinho.
A raposa pareceu muito intrigada.
– Então, é noutro planeta?
– É.
– E nesse planeta há caçadores?
– Não.
– Começo a achar-lhe alguma graça… E galinhas?
– Não.
– Não há beleza sem senão… – suspirou a raposa.


Mas voltou a insistir na mesma ideia:
– Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com as outras e os homens são todos parecidos uns com os outros. Por isso, às vezes, aborreço-me muito. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles campos de trigo ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado e há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do som do vento a bater no trigo…


A raposa calou-se e ficou a olhar para o principezinho durante muito tempo…
– Se fazes favor… Cativa-me! – acabou finalmente por pedir.
– Eu bem gostava – respondeu o principezinho, – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e um bocado de coisas para conhecer…
– Só conhecemos o que cativamos – disse a raposa. – Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
– E tenho que fazer o quê? – disse o principezinho.
– Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas podes-te sentar cada dia um bocadinho mais perto…

 

O principezinho voltou no dia seguinte.

– Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. – Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto hei-de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito… Precisamos de rituais.
– O que é um ritual? – disse o principezinho.
– Também é uma coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – É o que torna um dia diferente dos outros dias e uma hora diferente das outras horas. Por exemplo, os meus caçadores têm um ritual. À quinta-feira, vão dançar com as raparigas da aldeia. Por isso, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear às vinhas. Se os caçadores fossem dançar num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
E o principezinho cativou a raposa. Mas quando se aproximou a hora da despedida:
– Ai! – suspirou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar…
– A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não te desejava mal nenhum, mas tu pediste para eu te cativar…
– Pois pedi – disse a raposa.
– Mas agora vais-te pôr a chorar! – disse o principezinho.
– Pois vou – disse a raposa.
– Então não ganhaste nada com isso!
– Ai ganhei, sim, senhor! – disse a raposa. – Por causa da cor do trigo…
E acrescentou:
– Anda, vai ver as rosas outras vez. Vais entender que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.

 

O principezinho foi ver as rosas outras vez.
– Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada – disse-lhes ele. – Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como a minha raposa era, uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e ela passou a ser única no mundo.
E as rosas ficaram bastante arreliadas.
– Vocês são bonitas, mas vazias – insistiu o principezinho. – Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é igual a vocês. Mas, sozinha é muito mais importante do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.

 

Depois voltou para o pé da raposa e despediu-se:
– Adeus…
– Adeus – despediu-se a raposa. – Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos…
– O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
– Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
– Os homens já não se lembram desta verdade – disse a raposa. – Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa…
– Eu sou responsável pela minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.»


O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry (Tradução de Joana Morais Varela, Ed. Presença, pp. 66-74)

Combóio fantasma

 

IMG_2650.JPG

 

 

Ao meu lado um lugar vazio. Existia sempre um lugar vago, frívolo, carente ou frustrado.
Um homem de fato fingido. Um rosto bem feito de saudade. Uma lacuna de oito centímetros entre um salto alto e um queixo rebaixado. Um olhar translúcido e hiato que me fitava disfarçadamente.

 

Uma carruagem lotada num comboio que parou. Uma avaria que fazia antever um atraso de vinte minutos, mas que o acelerou. Contraditório? Talvez. Consistente, porém, o contraste entre o elevar das vozes e os sofridos nós nas gargantas.
Respirava-se sofregamente, bufando palavras de desagrado, que se traduziam nas mais variadas frustrações diárias.
Uma revista caiu. Estendeu-se uma mão, que vi desaparecer entre as páginas despidas de vida. Um chapéu voou, na procura pela liberdade de pensamento. E aqueles óculos diante de mim, flutuando no ar, da direita para a esquerda, da esquerda para a direita, nervosamente inquietos? Procurariam olhos capazes de ver (através deles)? O choro de uma criança que percebi, não reconhecia o batom da mãe que, num vermelho escarlate, lhe gritava o atraso. E ao fundo à esquerda, ora de fronte para mim, ora enfrentando a realidade, uma gravata azul escura, bem apertada, que depressa entendi ser a forca de um farda desgastada.

 

Ouvi o barulho do meu silêncio ocupar a carruagem nos quinze minutos que se seguiram à observação atenta. Ainda me restava um quarto de hora e o mundo parado. Tempo individual e necessário à reflexão, do qual não abdicaria.

Ao meu lado um lugar vazio. Adiante, um lugar vazio. Atrás, um novo lugar vazio. Uma criança, cinquenta e sete ninguéns e um pronto-a-vestir a bordo.

 

O revisor anunciou “Senhores passageiros, a avaria encontra-se reparada. Previsão de chegada ao destino às oito horas e cinquenta e oito minutos”.
O comboio avançava e cinquenta e oito era, também, o número exato de vidas que continuariam por consertar. Afinal, nem eu havia compreendido, até ao momento, que o lugar à noite vazio ao meu lado eras tu quem o ocupava.

Reino de Hades

Letárgico olhar citadino;
sudoríparas águas do Tejo.
Fundem-se Tágides e humanos
sem pudor, no calor do inferno.
Corpos e ninfas, mortais mitológicos
que no fulgor da carne humana,
derretem vorazmente e à viva chama
o primórdio cântico de Camões
em "fúria grande e sonorosa",
numa cama condenada ao deserto.

 

Depois do fogo, só as cinzas.
E o incerto.

Sem sonhos somos apenas mendigos

Já não conheço ninguém
no entanto, a todos vejo e oiço a voz da indiferença,
quando passam. Passam todos por passar
sem olhar para quem fica,
para quem não foi,
para quem não seguiu
num passo cheio de falsa pressa
que sem entrega,
alcança lugar nenhum.
Passam todos por passar,
como as sombras com que lavaram o rosto de manhã
passaram-nas uma, duas, três vezes – ensaboadas -
na esperança vã de – destronadas - as nódoas da vida
ensanguentadas não lhes mancharem o amanhã.

 

Passam em linha reta, como se eu não estivesse aqui.
De mim, apenas os seus olhos se desviam;
estou roto, sujo e cansado - mesmo assim eles não viam.
Que ignorância trazem no olhar...
Luzisse eu e ofuscaria.
Mas não. Não quero que me conheçam pela luz.
Se me querem conhecer, mergulhem na mais profunda escuridão,
no lamaçal das incertezas, no pântano que me engoliu os sonhos,
no deserto onde fui abandonado e onde fuzilado,
o meu passado morreu.
Desçam à caverna e aprendam a ver no escuro.
Tropecem na lâmina afiada que vos corta e arranca – sem dó -
um bocado de carne.
(ó que imperfeito estou! A cicatriz que ficou não condiz com a beleza.)
Bem sei. São marcas de guerra.
- Mas a estética… é isso que vos causa dor? -
Cortem-se e chorem. Derramem lágrimas de dor. Sentida!
Conheçam o ardor de um peito que sufoca sem amor
e depois, renasçam.
Sentem-se aqui comigo nas escadas do metro
rotos e sujos, a descansar do peso dos sonhos que ainda carregam.
Ou será que não os trouxeram?
É isso que aqui estou a fazer, a descansar e a ver-vos passar
todos iguais uns aos outros. E vazios.

 

Desenganem-se. Não quero esmola.
Não sou mendigo, nem pedinte.
Sou ouvinte do amanhã.
Como me achais igual a vós?
Vós que o sois, pedintes. Precisais de sonhos, mortais!
Vinde! Sentai-vos aqui, é este o vosso o trono.
Ficai.
Eu vou fazer-me ao caminho.

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