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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

31
Mai17

Lugares sem nome

Rita PN

Há um lugar sem nome

onde moramos, reféns

de um cognome que substitui

lugares antigos e que dilui, em si

e no tempo, as cores e os sabores

de uma identidade vivida

em fotografias antigas,

agora esquecidas, entre o pó

de objectos sem cheiro de amor.

Por temor de recuar no tempo

e voltar a bater à nossa própria porta

… sem ninguém para a abrir.

 

Somos lugares sem nome

a viver entre flashes

presos por um fio de redes

sociais e memórias instantâneas,

que depressa se esvai

p’lo buraco negro da solidão

que consome o sofá noturno.

Perdemos momentos,

ocultamos sentimentos,

desatentos à grandiosidade

do pequeno, à riqueza do detalhe

e à pureza do enamoramento da vida

que espreita à janela do coração.

Estendemos a mão,

rodamos a chave,

abrimos a porta,

mas não estamos lá…

 

Em nós, são tantas as ruas sem nome que levam os outros a lugar nenhum!

30
Mai17

A entrega de prémios da 1ª Edição do Prémio Literário Do Mosto à Palavra

Rita PN

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Decorreu no dia 27 de Maio, em pleno Alentejo, na Herdade do Monte Novo e Figueirinha a entrega de prémios referentes à 1ª edição do Prémio Literário Do Mosto à Palavra.

Num evento improvável, resultante da parceria entre uma Editora, uma Imobiliária e uma Adega, que reuniu participantes oriundos de todo o país, celebrou-se à boa maneira alentejana a Palavra escrita, falada, cantada e bem regada.

Numa visita guiada à adega, falou-se sobre o processo para a elaboração de um bom vinho, tantas vezes o melhor aliado da inspiração literária. A mesa de tertúlia ficou a cargo do actor, humorista, escritor, cronista e dobrador Bruno Ferreira; do compositor, escritor e músico Luís Espinho e do reconhecido compositor, músico, escritor e desenhador  Paulo Abreu Lima. O Eduardo Espinho e a Sandra Martins (vencedora do programa Ídolos em 2010) brindaram os presentes com deliciosos momentos musicais, estando a música ambiente a cargo do DJ Goove (Pedro Palma Nascimento).

Os prémios foram entregues pela mão do Gonçalo Martins, CEO da Chiado Editora; da Maria Helena Palma, directora da agência imobiliária Hall Paxis e da Dra. Cristina Cameirinha, que representou a Adega em nome do proprietário Filipe Cameirinha Ramos.

No final, degustou-se o sabor do Alentejo, num casamento perfeito entre os vinhos da casa e os famosos petiscos da região.

A lista de premiados pode ser consultada aqui e o álbum de fotografias encontra-se disponível aqui.

O meu sincero obrigado a todos quantos participaram e tornaram possível a realização deste evento. Espero por vós em breve, aquando do lançamento da Antologia Do Mosto à Palavra, livro que irá reunir as quase 400 participações recebidas.



NOTA: Ao clicar sobre o nome dos intervenientes, é possível ler as entrevistas dadas no âmbito deste evento. 

24
Mai17

Vida

Rita PN

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Éramos, talvez crianças, sempre que as mãos se entrelaçavam e sorriam - as minhas - ao largo dos teus caracóis.
Éramos, talvez a esperança, quando o olhar se cruzava e os teus olhos me inundavam de verde mar.
Éramos, talvez rebuçados, sempre que os lábios se encontravam, na curva dos beijos roubados, ao sol poente.
Éramos, talvez a corrida, sempre que soava a partida e me acompanhavas o rosto à janela.
Éramos, talvez o amor, de mãos dadas a correr, em direção à loja das guloseimas.
Éramos, talvez a vida, que só é sentida quando damos as mãos.

23
Mai17

A criança no meu peito

Rita PN

Andava nua pelo meu peito
a criança que brincava
e amava, a seu jeito
doce e terno, no fraterno
encanto dos seus caracóis
já extintos. Por entre as ervas do campo
e o cimento da cidade,
trazia a claridade no olhar;
e o verde que ao azul faltava
conjugar, com as ondas do mar
dos seus olhos.
Andava nua pelo meu peito
a criança que sonhava,
quando o sol despertava
e sempre que a lua a chamava
para voltar a dormir.
Andava nua pelo meu peito
a inocência da idade,
na vivacidade dos folhos
do vestido às flores, roubado
e embalado pelas melodias
do vento ao passar por mim.
Andava nua pelo meu peito
a ternura do abraço
que ainda guardo para ti…
Da menina que planta flores no jardim
da amargura, por não poder ser criança
fora de si.

(Queres ser criança comigo? - Perguntou-lhe, estendendo-lhe a mão.)

22
Mai17

Atração fatal

Rita PN

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Há sempre um momento que nos separa. O momento em que tu morres e em que eu assisto, impávido, ao teu desaparecimento. À beira do abismo. Na fragilidade visceral a que me condenas, não pela tua ausência física, mas pela constante presença emocional com que me manipulas os dias.
O nosso amor foi sempre a minha melhor criação, alimentada pelos meus pensamentos doentes e pelos fugazes encontros a que cedemos. Uma obra cuja temporalidade e materialidade suspeitas, me fazem agora crer, na possibilidade da sua não existência, sempre que te vejo morrer para o amor. Para o nosso amor.
Sou confrontado com a necessidade que as coisas e os acontecimentos têm, de ser apagados. É por isso que te matas, não é? Diz-me. É por isso que te matas? Queres apagar-te de mim, mas as marcas invisíveis não te deixam sair-me da pele.
Contigo, vivo constantemente à beira do abismo. Há sempre um momento que nos separa. O momento em que o amor vaza, escorre e cai morto, depois da despedida do teu corpo inerte. Sempre precisaste de sangue para que o teu nome ficasse gravado no meu coração.
Diz-me. Diz-me com clareza. No amor, qual é a vantagem de ser ferido, quando é por medo que morremos?


(Um texto escrito para a página 7HINK, no facebook.)

15
Mai17

Reflexões - 15

Rita PN

A escrita é uma reta que me toca na curva, sem me cortar e com a qual partilho todo o universo de um ponto em comum.
A escrita é uma tangente de mim.

                                                                                                                                                 Rita

12
Mai17

Nas letras dos meus sonhos

Rita PN

 Hoje levo-vos novamente ao baú. Recuemos aos meus 15 anos... Sonhar, sonhar, Sonhar!

Não sei porque escrevo,

porque sonho as letras,
porque canto as vírgulas,
ou porque ondulo nas frases
sem nunca chegar a um ponto.
Não sei porque vivo um texto,
nem porque desejo um conto
que nunca começa nos Às,
tão pouco termina nos Zês.
Não. Não quero parar!
Quero continuar a saltar
barreiras de capítulos;
escalar páginas sem cume,
remar ao sabor das sílabas
que ardem no meio do lume.
Quero partir das reticências,
sem nunca alcançar os dois pontos.
Trepar interrogações,
abraçar as exclamações…
e sem perder o ritmo,
escrever milhares de contos.

 

Quero casar com os nomes,
e ser íntima dos verbos,
quero namorar os pronomes
e fazer dos determinantes meus servos.
Quero ser chefe de imprensa
e quero, para sempre, sucumbir ao Poeta.
Quero uma prosa imensa,
não quero um ponto na meta!

 

Já li toda a Epopeia
e escreverei duas ou três,
sem perder a consciência
que no meu sonho de menina
era tudo "Uma Vez"!

10
Mai17

Silêncios

Rita PN

Há nos meus lábios cansaços 
do parco significado das palavras
ditas a vermelho
em frente ao espelho,
já sem reflexo e vazio de mim.
Não me é o bastante, a cegueira.
É-me mais que precisa a surdez
e a total insensatez, para as tomar de vil maneira
que não me assalte a memória
o tom sangrento dos teus lençóis de cetim.
Foi neles que sucumbi
refreada pelo batom carmim
que degustavas, mas não sentias,
com que eu falava e tu não ouvias,
morrendo o sonho entalado
entre os lábios que mordias.

 

Desgastada, ganhei nos lábios cansaços 
enjoados do cheiro das palavras moribundas
que enterrei no teu jardim
prevendo o fim, de uma semente que não germinou
e se calou, rendida ao silêncio que se ajustou
e se moldou perfeitamente a cada quadrante de mim,
trazendo-me a liberdade para ser quem realmente sou.

(Só o silêncio se ajusta perfeitamente a cada coisa).

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