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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Colarinho branco

Incógnito pelas ruas,
refugiando as mãos nos bolsos,
segue, sob o olhar atento da gula,
visível nos olhos da noite corrupta.

Habilmente tricotada em torno do pescoço,
tráz enrolada, nas voltas da vida,
a cascavel adormecida
que aquece e incita a mordida
envenenada; picada da língua afiada
no eixo certeiro do passo contíguo
de quem, sem nó de gravata,
no caminho honestamente se atravessa.

Sobre a calçada endurecida,
já muitos tombaram heroicamente,
à luz do candeeiro por interesse atenuado,
cansado que estava o rigor do país.
Exarcebado, fez o povo garrote
na própria perna e seguiu...
pela via da verdade, que o viu,
denunciar, em contra-mão,
quem não caiu, em falso passo, na escuridão
da intérmina auto-estrada da corrupção.

 

Na voz de uma mulher

 

Não precisas de esperar. Eu não me vou atrasar. Afinal fui eu quem sempre aqui esteve à hora certa e no momento devido. Hoje não seria diferente. Chego uma vez mais, a horas, para te dizer que não esperes por mim. Durante todo aquele tempo em que tu ias e voltavas, te perdias de ti e te reencontravas, eu esperei. Esperei e sempre estive do teu lado. Mesmo atrasado, ias chegando, ias sorrindo, ias ficando, até ao dia em que a tua ausência prolongada ditou o meu afastamento.

 

Nunca te pedi muito, e o que pedi foi tão simples. Aquele minuto de atenção que nos faz sentir especiais. O respeito, o carinho e a consideração de quem se importa para com quem é importante. Tudo isso chegou até ti sem atrasos. A mim, foram muitas as vezes em que tão pouco os recebi. Porque tu, egoísta, vivias os dias envolto nos teus pensamentos, na tua rotina, na tua falta de tempo e nos teus maus momentos. Tinhas-me como presença certa e já nada fazias para que eu ficasse. Recorrias a mim somente quando mais nenhuma palavra te fazia sentido, quando nenhum conselho era tão válido quanto o meu, quando mais ninguém te fazia sentir seguro de ti mesmo ou te estendia a mão e te dizia “estou aqui”, quando mais ninguém te fazia sentir tão vivo o coração ou te despertava emoções que há muito não sentias.

 

Se precisavas de sorrir sabias onde encontrar o meu sorriso, se precisavas de um abraço sabias onde encontrar o meu, se precisavas de uma palavra, sabias que a minha seria a certa. Mas era sempre pela tua necessidade, e nunca pela minha ou a pensar que eu também poderia precisar de ti.

 

Como disseste e bem, sou forte, mas não tão forte que me seja indispensável o carinho, o conforto e a presença de alguém nos momentos difíceis. E onde andavas tu nos meus momentos de aperto? Desculpa que te diga, mas sempre que não me olhaste nos olhos para fugires de ti, sempre que não me agarraste com medo de a seguir me perder, sempre que não me amaste por cobardia, sempre que não me sorriste, sempre que não tiveste tempo ou paciência para mim, sempre que não chegaste ou deixaste algo por dizer ou fazer, tu não te atrasaste. Adiantaste-me sim a partida.

E enquanto tu eras o teu próprio centro de atenções e vivias embrenhado nos teus medos, nos teus pensamentos, nas tuas incertezas e na tua falta de tempo, eu vi o mar sem ti, a lua e o por-do-sol. Também não deixei de viver momentos sozinha, que queria viver ao teu lado, porque se tu me faltavas a mim, eu a mim não me falto. Sempre que fugiste de mim para não pensares em ti, acabaste por me perder ainda mais. E não só me perdeste a mim, como te perdeste de ti e perdeste muitos dos melhores momentos que tinhas para viver. São escolhas.

 

Agora, não me peças desculpa por tudo o que não fizeste ou não fizemos juntos. Se me conheces, sabes que prefiro a verdade dos atos à facilidade das palavras. E se de facto estás arrependido demonstra-mo sem atrasos.

 

Desculpa, o meu tempo está a terminar, a vida não espera por mim, o meu relógio não pára e há um lugar para ser feliz. Eu quero lá chegar a horas, por isso não espero por ti. Tu chegas sempre atrasado e outras vezes nem chegas.



Na voz de um homem

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Desculpa o atraso.
És sempre tão pontual e eu chego sempre atrasado, por vezes nem compareço. Desculpa o atraso mas estive sempre ocupado. O trabalho e os meus afazeres diários. A rotina. A falta de tempo.
Desculpa o atraso nos “bons dias" e todos aqueles dias em que nem tos dei. Os teus chegavam sempre a horas.

 

Desculpa o atraso nas respostas às tuas mensagens, à tua presença, à tua atenção. Desculpa por todas as vezes em que não foste prioridade, mesmo em plena consciência de que, na maioria das vezes, eu sempre fui a tua.
Desculpa por todas as vezes em que não retribui os teus sorrisos abertos, o conchego do teu abraço e a doçura contidada em cada beijo teu.

 

O trabalho e a falta de tempo, ou todo o tempo que deixei passar embrenhado nos meus pensamentos, à volta de mim mesmo e fugi. Não de ti, mas de mim, do meu subconsciente que me dizia que eras tu quem eu queria ao meu lado, que eras tu quem me trazia tudo aquilo que sempre desejei, que eras tu quem ali estava sem qualquer obrigação, sempre à hora certa - nunca foi o momento errado.

 

Por fraqueza fugi. Porque sou fraco e tu és forte. Mas não tão forte que te seja indispensável a presença e o carinho de alguém, o conforto e o apoio nos momentos difíceis. E eu sou fraco e fujo, por cobardia, ao pensar que não sei como apoiar uma mulher que é dona de uma força soberba e que tanto admiro. E apesar da muralha que construíste, ainda consegues ser doce, meiga, delicada e ter um dom comum a poucas, ser Mulher com letra grande.

 

Desculpa por todas as vezes em que não te olhei com medo de ver em ti o que sabia que iria encontrar. Por ver em ti os meus pontos fracos. Por te saber o meu ponto forte.
Desculpa o meu atraso sempre que precisaste de mim, e desculpa-me ainda mais as vezes em que nem cheguei.
Desculpa os momentos intensos que não vivemos, os passeios que não fizemos, as aventuras que não partilhámos, todas as noites em que não olhámos juntos para o céu nem adormecemos lado a lado.

 

Tu és a amiga, a amante e a mulher que sempre quis e eu só agora tive a certeza disso. E mais uma vez já venho atrasado.
Desculpa por não te ter levado a ver o mar, o por do sol e a lua, sei o quanto gostas. Mas ainda vamos a tempo. Prometo não me atrasar desta vez.

 

Desculpa por ser eu o meu próprio centro de atenções, e desatento, não interpretar os teus sinais.
Tu chegas sempre a horas para tudo e mais alguma coisa, antecipadamente até para algumas. Tu chegas lá e fazes. E eu, cobarde, deixei tanto por fazer e dizer.

 

Só agora percebi que nos teus olhos vejo os meus, que no teu sorriso encontro o motivo do meu, que em ti encontro o que sempre procurei. (E do qual andei a fugir todo este tempo).
Desculpa-me por me achar fraco, por todas as idas e vindas, por todos os meus atrasos e pelas vezes que nem cheguei. Desculpa por me ter sido necessário já aqui não estares, para que eu percebesse que só permaneço estável, íntegro e completo ao pé de ti.

 

Desculpa, mais uma vez cheguei atrasado para dizer que Te Amo.

 

Sei que já aqui não estás, mas espero ainda ter vindo a tempo. Mesmo que te atrases, hoje sou eu quem espera por ti.

 

Salvé

A todos os que deram as mãos e baixaram as armas
na calada da noite. 
A todos os que em laços se coseram
e em abraços de afeto se deram
às claves de sol dos corações cintilantes. 
A todos os ventos cruzados
que aos condenados levaram
o cheiro dos poemas da Lira de Orfeu.
Doce lamento... (sei eu),
amenizando o sofrimento das almas exiladas para lá do Estige. 
A todos os rouxinóis matinais,
atestadores matriciais 
dos amores de antigamente. 
A todos os sonetos chorados.
A todas as cartas não lidas.
A todos os esplendores gritados.
Aos beijos roubados. 
E ao ardor das despedidas.

 

- A todos quantos o amor brindou!
Saudou a vida.

Prémios de Marketing 2017

A dedicação e a paixão por aquilo que fazemos é, sem dúvida, o motor para o sucesso. Foi com uma enorme emoção que no passado dia 23 de Novembro recebemos, na pessoa da Rita Palma Nascimento, a notícia de que a Hall Paxis tinha sido galardoada com o primeiro prémio de marketing no âmbito do Imocionate itec 2017.
"Do mosto à Palavra", uma ideia que surgiu do nada, que foi desenvolvida, cimentada e concretizada, saíu vencedora numa tarde de chuva, mas onde o calor humano encheu a FIL.
Muito obrigada a todos quantos acreditaram e ajudaram! Deixamos aqui a honra da consagração do primeiro lugar, entregue à Rita, uma das principais mentoras da ideia, e que nela trabalhou arduamente. Um grande bem-haja a todos quantos tornaram este prémio possível - Equipa Hall Paxis, parceiros de evento Chiado Editora e Herdade da Figueirinha, amigos, clientes, família, autores, viajantes, turistas... É por vós e para vós!

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Para os menos atentos a este cantnho, "Do Mosto à Palavra" foi uma ideia que surgiu numa solarenga tarde de Dezembro, em plena cidade do Porto, na esplanada do Chiado Café Literário, na Av. da Boavista, onde duas alentejanas de Beja (eu e a minha mãe) se encontravam a almoçar, tendo sido brindadas com um copo de vinho Alentejano, mais concretamente da Herdade da Figueirnha (Beja). 

Estava lançado o mote, à mesa juntaram-se uma imobiliária, o vinho e a literatura para um início de tarde que viria a ficar na hitória. 

Depois de "cozinhada" a ideia, ainda em fase embrionária, apresentámos a proposta de parceria tanto à Chiado Editora, como à Herdade do Monte Novo e Figueirinha, que aceitaram prontamente o desafio. E se à primeira vista estas três empresas nada têm em comum, desenganem-se: Pessoas, Cultura e Arte. Três elos de ligação e união capazes de mobilizar e dar origem a um Prémio Literário que recebeu paticipações de todo o Portugal Continental e Ilhas. A concurso, sob a temática "Alentejo", estiveram 420 participações entre as categorias Prosa e Poesia, tendo sido premiados três autores em cada uma das categorias, num evento vínico e literário que decorreu em Maio, na Herdade do Monte Novo e Figuerinha em Beja. 

Dada a dimensão alcançada, o projecto não poderia ficar por aqui. Foi entao anunciada, por parte da Chiado Editora, a compilação de todos os originais numa obra, a Coletânea "Do Mosto à Palavra" - Vol I, lançada extamete no mesmo local, no passado dia 18 de Novembro. 

E se a concurso obtivemos participações de Norte a Sul, incluíndo as ilhas, na assistência, "Do Mosto à Palavra" internacionalizou-se, com a presença de cidadãos Italianos, Holandeses e Colombianos. 

E agora perguntam vocês (e bem) "Qual o benefício/vantagem, para uma imobiliária, integrar um projecto como estes?". 

Vejamos, nos dias que correrm e sendo Beja uma cidade de pequena dimensão, só faz sentido desenvolver um negócio quando perfeitamente integrado no seio da comunidade. Quando a comunhão existe e a interligação entre partes é incentivada e fomentada. 
Desta forma, este plano de marketing permitu à Hall Paxis não só o posicionamento no seio do seu segmento alvo, como a criação de valor para a empresa, a par da divulgação e visibilidade ganhas tanto para a Hall, como para a cidade e para a região. 

Uma parceria improvável que resultou numa ideia out of the box, impulsionadora, inovadora e única. 

Para melhor perceberem a essência do que foi feito, deixo-vos o vídeo que nos valeu a conquista do 1º lugar nesta que foi a 1ª Edição dos Prémios de Marketing para o segmento imobiliário. 

 



Monte Tradicional Alentejano - Um pouco de história e tradição

 

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Quando se fala em Monte Alentejano, somos inevitavelmente remetidos para uma sensação de tranquilidade, sossego, descanso, harmonia mas, também, de isolamento. Na verdade, foi extamente esse o príncipio que deu origem à estrutura conceptual do Monte Alentejano, tal como o conhecemos hoje.

 

A sua história remonta ao séc VII a. C. e à presença dos Fenícios que, por terem na Península Ibérica uma base importante e estratégica na sua rota de comércio, exerciam sobre este território uma forte influência.
À época, o conceito de Estado não existia – note-se que o conceito de Estado se refere a qualquer entidade com estrutura própria, politicamente organizada e com poder soberano para governar um povo dentro de uma área territorial perfeitamente delimitada. São poderes tradicionais do Estado o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário, sendo que numa Nação o Estado o Estado desempenha funções políticas, sociais e económicas. – e foram os agrupamentos sucessivos e cada vez maiores de seres humanos que nos fizeram chegar a essa concepção.

 

Os Fenícios foram um dos primeiros povos a tentar implementar um conceito semelhante, onde as regras fossem similares entre os diferentes povos que coabitavam a região. Os grandes centros urbanos, por eles dominados, foram os primeiros locais a acolher e a implementar estas regras, o que levou a que uma boa parte dos seus habitantes - habituados a viver segundo as suas próprias normas - começassem a dispersar por todo o sudoeste peninsular, de modo a poderem viver segundo os seus próprios costumes. Por consequência, levavam consigo muito da influência Fenícia no que à construção e à estrutura habitacional dizia respeito.

Com uma história que ascendente os 2500 anos, o Monte Alentejano teve a sua maior influência na arquitetura mediterrânica, instituída, em grande parte, pelos Fenícios. É de realçar a privacidade de espaço como característica principal, situando-se a habitação no centro dos pátios, o que garantia a sua salvaguarda.

 

Contudo, a edificação do Monte Alentejano poderá também ser considerada uma ruptura conceptual, estrutural e arquitectónica para com as características predominantes nas habitações da época. Senão vejamos, com a dispersão dos grandes povoados, na parte final do século VII e no início da idade do Ferro, a realidade do cultivo, da força laboral e do conceito de família é transmitida para a construção, sendo abandonada a estrutura circular das pequenas cabanas, para abraçar uma nova realidade arquitectónica.
Sendo já uma base da comunidade, a família torna-se igualmente base do trabalho e da organização estrutural, cultural e social.

 

Provenientes da região litoral, as técnicas de construção e da própria organização do espaço foram implementadas em determinadas zonas do interior, permitindo a criação de pequenas comunidades rurais auto-sustentáveis, predominantemente instaladas junto a linhas de água, por forma a reforçar o carácter agrícola e agro-pastoril das comunidades.

 

Estudos arqueológicos indicam que estes antiquíssimos protótipos do Monte Alentejano seriam construídos em pedra e terra e seriam, tal como atualmente, pintados de branco.

 

Abandono

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Em terra de pouca sorte,
insípida p’las águas do pranto,
dizia o vento - que corria parado -
memórias cansadas,
ao entardecer da vida num banco
de praça, deserta e despida,
tricotando, incerta, a nudez
da memória de outrora, esquecida.

 

E à luz da janela improvável,
na cal já gasta esculpida,
vivia de língua amputada
o silêncio da despedida.

 

À proa


Nasço eu, p’los teus braços, amanhã.
Estratosférica e profunda,
breve e oriunda de sonhos crescentes
(como a lua, esta noite).
Fóssil de mim, ajusto os ossos,
(a mais dura parte de quem sou)
à saudade.
Baixa mar de um rio que rasgou as margens
da impossibilidade, ao nascer.
Para os lados da foz, vazante, não lhe conheço caminho
e a jusante de mim, só o teu desaguar
no lago do jardim que me dá de beber
ao coração.
Tu entraste antes de mim nas flores que ficarão
com as lembranças,
quando a névoa cerrar o caminho
e a tua mão deslizar sobre o pensamento,
colhendo o que de nós brotou:

 

Arte livre, inocente e múltipla,
na proa erguendo o amor.

 

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