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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

07
Abr17

Por baixo da pele

Rita PN

 

Por baixo da pele não há quem és.
És outro, que não tu, que não quem eu vejo
que não quem diz ser.
Por baixo da pele, a carne não cheira
a impunidade. A sensatez.
E a dignidade, que era robustez,
se desfez
deixando à vista os estilhaços.
Enchumaços d’hipocrisia
que te perfuram a pele e se mostram nus,
mas tu não os vês.
Sentem eles. Aqueles que ferras, sem te dar conta.
- À flor da pele -

 

Há no teu sangue crimes de guerra
que a sociedade enterra, para não ver.
- Será ela quem diz ser? -
Há nos teus ossos destroços
de vidas perdidas
que a sociedade ignora. Foram esquecidas,
para bem da superfície da pele.
Há nos teus órgãos delitos
e conflitos, por divergências
de pigmentação, orientação e religião.

Já me cheira a fel o teu hálito,
por tanto de nós devorado
desrespeitado, assaltado, derrubado e escravizado.
Por baixo da língua, diz-me, quantos em ti morreram?
Cemitério do povo
que engolido e ferido te desceu às entranhas
e te conheceu,
por baixo da pele...

 

Conto-te, nos olhos, o misseis
prontos a disparar, quando finges chorar
por aqueles que às tua lágrimas morreram.
Quando pensaram lavar-se do mal com que lhes tingias o corpo.
Há campos de concentração e de horror
por baixo da pele.
E é já irrespirável, no ar, o fedor
dos gases que expeles,
que sufocam crianças e adultos inocentes,
os deixa inconscientes e, por fim, os mata
à mão de interesses que tatuaste
à superfície da pele.

Sempre que o teu ódio rebenta,
levas contigo dezenas, até centenas.
Verdadeira tormenta para quem só quer paz.
E tu, farto de
bum, bum, bum…
pás, pás, pás…
pum, pum, pum…
Zás,
fazes uso do crânio
e lanças o urânio
que tens debaixo da pele.

Essa, já podre, que a todos nos serve de mortalha.

 

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