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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Cordel D'Prata

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Nascida a 10 de Junho de 2017, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, a Cordel D’ Prata é uma editora especializada nos novos autores. 

Portadora de sonhos, projectos e montagens, a equipa procura os melhores talentos na área da escrita, num compromisso claro entre a diversidade literária e a inclusão de diferentes autores. A Cordel D'Prata assume-se fruto de uma geração independente que não olha ao género, à idade, ao estatuto social nem a qualquer outro contexto, procurando a emoção de tornar real o sonho de todos quantos nutrem paixão pela escrita: a publicação.

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Foi para mim uma honra marcar presença na inauguação, a convite do Luís Rodrigues, o fundador desta editora, assim como foi de coração cheio que vi lançado um ebook da minha autoria.
"Nas Letras dos Meus Sonhos" é uma compilação poética que retrata visões e reflexões sobre as nossas vivências diárias e internas, a par de um olhar atento sobre a sociedade que nos envolve, num claro contraste entre realidades e comportamentos tão distintos, quanto opostos.

Convido-vos desde já a conhecer este novo projecto editorial.

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Entrevista com Mariana Brito Lança

Hoje partilho convosco a primeira entrevista neste blog. 
Pedi à Mariana que nos contasse uma história, ela abriu-nos o seu mundo. 

Autora da página Ponto de Rebuçado https://www.facebook.com/Ponto-de-Rebu%C3%A7ado-953571698108049/?fref=ts  que, antecipadamente, vos convido a visitar, Mariana Brito Lança, terapeuta da fala de profissão, tem 27 anos e é natural de Beja. Mantém com as palavras uma relação de amizade - que adjetiva compulsiva - reconhecendo que a paixão que por elas nutre "assumiu proporções deliciosamente desastrosas".

 

[Rita] - Quando e como começou a tua relação com as palavras?

[Mariana] - O início da minha relação com as palavras não teve propriamente uma data. Não as encontrei como quem esbarra com o amor numa esquina. Sinto que, no fundo, elas sempre estiveram lá. Antes de mim, até. A minha avó é poetiza, o meu pai seguiu-lhe os passos e eu, desde pequenina, cresci sensível às palavras e às emoções que carregam.

 

[Rita] - De que forma as tuas vivências e o teu crescimento influenciam tanto o que lês quanto o que escreves? 

[Mariana] - Sempre ouvi dizer que para se escrever é preciso ler muito. Curiosamente, e apesar de gostar de ler, não me lembro de ser uma devoradora de livros. Lembro-me do prazer da leitura, da viagem da interpretação, lembro-me dos bancos da escola e como a professora de português espicaçava em mim a paixão da palavras. Contudo, foi com o “tornar-me adulta” que esta paixão assumiu proporções deliciosamente desastrosas. A escrita, em mim, começou a dar os primeiros passos como forma de catarse, como se precisasse dela, e só dela, para os momentos mais desafiantes da minha vida. A escrita começou por ser uma grande amiga, compulsiva. Leio por lazer, escrevo por necessidade e imenso prazer.

 

[Rita] - O que é que mais te atrai no teu processo criativo, o mundo sonhado e utopias, o mundo real ou ambos? 

[Mariana] - As minhas utopias abraçam sempre o real. Não sei fugir de mim, mesmo quando sonho ser o que vai para além do que me caracteriza. Aquilo que me fascina na escrita é isso mesmo: poder voar para fora do que sou, deixando em cada linha um travo da pessoa que trago dentro.

 

[Rita] - As personagens que crias são muitas vezes de carne e osso. Algumas são uma projeção de ti mesma e as restantes? 

[Mariana] - Ainda estou num processo de introdução à escritora que mora em mim. Fomos apresentadas há pouco tempo e ainda nos estamos a conhecer. Posso dizer, neste momento, que a MBL existe em cada uma das suas personagens. A sua rebeldia, neste aspeto, é incansável. As personagens que construo estão, maioritariamente, ligadas às minhas vivências internas e vestem a pele das pessoas que no dia-a-dia me tocam.

 

[Rita] - Dos muitos livros que certamente já leste, qual foi o que mais te marcou e porquê? 

[Mariana ] - Esta pergunta não se faz. Cada livro é uma viagem e eu ainda agora apanhei o comboio. Espontaneamente, aquilo que me vem à cabeça: Maleza. Maleza, a minha avó. Leio e releio as suas obras, e consigo viajar sempre um bocadinho mais longe.

 

[Rita] - Quais os escritores que são para ti uma referência? 

[Mariana] - Alberto Caeiro. Não há até à data pessoa que mexa mais comigo, que entre em mim de forma mais arrebatadora. Assumidamente apaixonada

 

[Rita] - Dá-me o teu parecer relativo ao atual panorama literário português.

[Mariana] - A escrita em português é das coisas mais bonitas e tocantes de se ler. A nossa língua dá ainda mais alma às palavras, talvez pelo choradinho do fado que embala esta poesia de ser português. Temos, no nosso baú literário, tesouros incríveis. E, nos tempos que correm, somos assaltados por génios de palavras que substituíram a pena pelo ecrã tátil. Eras diferentes, a  mesma alma: a portuguesa.

 

[Rita] - Consideras que os meios de divulgação digitais são um suporte importante para a divulgação do que muito se escreve em Portugal? 

[Mariana] - A era digital “rasgou” os livros com cheiro a biblioteca mas trouxe-nos a possibilidade de ter em casa a mesma imensidão literária, só que sem capa. Grandes e (mais) pequenos, todos temos lugar na biblioteca do mundo.

 

[Rita] - De que forma gostavas de ver o teu trabalho chegar ao público? Abordas sobretudo vivências. Qual é a tua principal preocupação ao transmitir a mensagem? Que sentimentos tencionas despertar no leitor? 

[Mariana] - A divulgação do meu trabalho surge a pedido do meu público. Algo que inicialmente era só meu começou a querer saltar cá para fora, motivado pelos ouvintes mais atentos das minhas palavras caladas, palavras essas que pelos vistos gritaram alto de mais. Que sentimentos tenciono despertar? Um turbilhão deles basta-me. Só exijo dos outros aquilo que também dou.

 

[Rita] - Tens aspirações maiores no que à escrita diz respeito? Pensas em editar ou em desenvolver projetos ligados à literatura e à escrita? 

[Mariana] - Para já, aspiro continuar apaixonada. Quem sabe se desta paixão, sem reticências ou pontos finais, não resulta um romance? Até lá, saboreio o momento.

 

Obrigada Mariana, foi um gosto ter-te aqui!

 

 

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