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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Retrato de uma vida

Fui ao baú para vos deixar um poema escrito aos 14 anos de idade.

 

Na escuridão negra e profunda

dos dias longos que se vão arrastando,

por entre espinhos e aguçados caminhos

dos anos tristes que foram passando,

sempre existirão momentos iluminados,

pequenos diamantes no céu, luzindo

que num manto tão negro, tão escuro,

não passam de pirilampos fugindo.

 

Nas trevas da escuridão fechada,

há uma porta estreita, abrindo

caminho ao passar do cinzento

de um ano que ainda vem vindo.

Atravessam-na fantasmas,

homens de branco e distantes,

espreitam por ela soldados,

homens de verde e perturbantes.

Avançam sem permissão,

disparando, ferindo, amarrando…

Pensando que, pois então,

só assim conseguirão

a paz dentro do meu coração.

 

Enganados pelo instinto recuam

Com calma.

- DEIXEM DERRETER A DOR!

Sarar as feridas, as marcas das balas;

os vergões inchados do coração sem amor

que ainda é noite! 
E o mundo dorme. 
E dorme a alma.

E tudo dorme, até a vida,

Na agitação da noite calma

( shh, não acordes vivalma)

espera p'lo nascer verde do dia.

Sem sonhos somos apenas mendigos

Já não conheço ninguém
no entanto, a todos vejo e oiço a voz da indiferença,
quando passam. Passam todos por passar
sem olhar para quem fica,
para quem não foi,
para quem não seguiu
num passo cheio de falsa pressa
que sem entrega,
alcança lugar nenhum.
Passam todos por passar,
como as sombras com que lavaram o rosto de manhã
passaram-nas uma, duas, três vezes – ensaboadas -
na esperança vã de – destronadas - as nódoas da vida
ensanguentadas não lhes mancharem o amanhã.

 

Passam em linha reta, como se eu não estivesse aqui.
De mim, apenas os seus olhos se desviam;
estou roto, sujo e cansado - mesmo assim eles não viam.
Que ignorância trazem no olhar...
Luzisse eu e ofuscaria.
Mas não. Não quero que me conheçam pela luz.
Se me querem conhecer, mergulhem na mais profunda escuridão,
no lamaçal das incertezas, no pântano que me engoliu os sonhos,
no deserto onde fui abandonado e onde fuzilado,
o meu passado morreu.
Desçam à caverna e aprendam a ver no escuro.
Tropecem na lâmina afiada que vos corta e arranca – sem dó -
um bocado de carne.
(ó que imperfeito estou! A cicatriz que ficou não condiz com a beleza.)
Bem sei. São marcas de guerra.
- Mas a estética… é isso que vos causa dor? -
Cortem-se e chorem. Derramem lágrimas de dor. Sentida!
Conheçam o ardor de um peito que sufoca sem amor
e depois, renasçam.
Sentem-se aqui comigo nas escadas do metro
rotos e sujos, a descansar do peso dos sonhos que ainda carregam.
Ou será que não os trouxeram?
É isso que aqui estou a fazer, a descansar e a ver-vos passar
todos iguais uns aos outros. E vazios.

 

Desenganem-se. Não quero esmola.
Não sou mendigo, nem pedinte.
Sou ouvinte do amanhã.
Como me achais igual a vós?
Vós que o sois, pedintes. Precisais de sonhos, mortais!
Vinde! Sentai-vos aqui, é este o vosso o trono.
Ficai.
Eu vou fazer-me ao caminho.

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