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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

A memória da paixão

 

war-of-feelings-pintura-de-leonid-afremov.jpg

 War of feelings by Leonid Afremov

 

Nota: O texto que se segue contém linguagem susceptivel de ferir a sensibilidade das mentes mais resguardadas. 

 

 

Sinto-te quente entre as mãos e viajo-te nas curvas do corpo, enquanto subo e desço as colinas dos teus seios e tu abres as pernas levando-me ao vale do inferno. Trinco-te a carme dos lábios com fervor no ardor com que me queimas as entranhas e me abocanhas o pescoço. E ainda te sinto, em chagas acesas, a força do amor que me cravavas na pele. Teu rosto a pincel, gemendo o prazer encorpado com que o meu nome te ardia na língua. 
Já não sei com que força te agarrava crespos, os cabelos que me cortam hoje como lâminas, as memórias inflamadas da sombra ardida onde me condenei a amar-te. Embriagado e levado pelo desejo da vontade e da loucura, ao mesmo tempo que uma ereção de ternura me obrigava a entrar em ti. Sinto-te fugir entre os meus dedos tesos e queimados, ressacados e incapazes de se dobrarem e guardarem as orgásticas cinzas onde ardi. 
A memória das mãos nunca esquece a paixão.

Hei-de beber do amor

Hei-de beber da taça dos teus lábios
o amor, ao entardecer.
E hei-de o saber, anunciado
pelo ruído de curiosidade da vizinha
sem cuidado, ao ver-te descer
a rua a correr…
e cair-me nos braços,
por mil embaraços no coração.

Hei-de te ter,
visão dos meus olhos ao anoitecer,
estrelas de um céu onde sonho
e acordo, para continuar a beber
da taça do amor que os teus lábios
me servem, quando pela manhã
raiam os teus cabelos de sol
na minha almofada.

Hei-de escrever,
pelas ruas da saudade
sobre a calçada do eco dos teus passos
lassos, quando saíres amanhã
e eu abrir amarela, a vista da janela
do campo de girassóis
dos teus caracóis, na minha lembrança.

Hei-de fazer correr tinta
por versos imersos na ausência
dos teus dedos nos meus.
Porque será a distância,
a única coisa em que tocam
para além da elegância da caneta
que te fez.
Criação da minha mente.

Hei-de beber do amor...

Silêncios

Há nos meus lábios cansaços 
do parco significado das palavras
ditas a vermelho
em frente ao espelho,
já sem reflexo e vazio de mim.
Não me é o bastante, a cegueira.
É-me mais que precisa a surdez
e a total insensatez, para as tomar de vil maneira
que não me assalte a memória
o tom sangrento dos teus lençóis de cetim.
Foi neles que sucumbi
refreada pelo batom carmim
que degustavas, mas não sentias,
com que eu falava e tu não ouvias,
morrendo o sonho entalado
entre os lábios que mordias.

 

Desgastada, ganhei nos lábios cansaços 
enjoados do cheiro das palavras moribundas
que enterrei no teu jardim
prevendo o fim, de uma semente que não germinou
e se calou, rendida ao silêncio que se ajustou
e se moldou perfeitamente a cada quadrante de mim,
trazendo-me a liberdade para ser quem realmente sou.

(Só o silêncio se ajusta perfeitamente a cada coisa).

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