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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

18
Out17

Dá-me tua mão

Rita PN

Agora, difícil é expulsar o frio do inverno que parece ter atravessado o calendário, para além do seu tempo, instalando-se nas almas de quem ficou e viu partir, em cinzas, as suas primaveras.

 

MAUS TEMPOS

Agora nos calamos
E já não mais cantamos.
Nosso passo é pesado.
É a noite, o seu tempo é chegado.

Dá-me a tua mão,
Talvez que seja longo este caminho ainda.
E a neve cai, a neve!
O inverno em terra estranha nunca finda.

Onde está o tempo
em que uma luz, um lar por nós ardia?
Dá-me a tua mão.
Talvez seja longo este caminho ainda.

Herman Hess

19
Jun17

Não basta chorar as cinzas de um país ardido

Rita PN

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São já 61 as vítimas do incêndio que deflagrou ontem em Pedrógão Grande, um número que tende a aumentar à medida que é feito o reconhecimento de toda a área ardida. O número de feridos mantinha-se em 59, às 10:00 da manhã.
Segundo a Proteção Civil, foram mobilizados 692 bombeiros, apoiados por 215 viaturas e aguarda-se a chegada de meios aéreos espanhóis e franceses para ajudar no combate às chamas, que lavram em quatro frentes.

Num país anualmente devastado por incêndios, sejam eles consequência de causas naturais ou mão criminosa, continuamos a assistir a uma extrema dificuldade, por parte dos sucessivos governos, de tomar medidas efetivas que permitam prever, atuar e minimizar o número de catástrofes incendiárias anuais.

 

O ordenamento do território é um dossier que continua a ser descurado, não só no que à desertificação do interior diz respeito, mas também no que toca à má qualidade das acessibilidades, que tantas vezes condicionam o acesso rápido ao local. Também a distância entre as árvores e as estradas é hoje, por infelicidade daqueles que no IC8 circulavam à hora errada no local errado, um exemplo simples, mas mortífero da falta de planeamento e ordenamento do território adjacente às rodovias, sem qualquer faixa/área de segurança ou corta-fogo. Os projectos - de há anos - de limpeza e vigilância florestal continuam na gaveta e a criação de um plano cívico de mobilização para ajudar nessa tarefa também não é horizonte, até porque somos nós cidadãos, membros da sociedade civil, os primeiros a desresponsabilizarmo-nos perante essa actividade considerada serviço cívico.
Porém, pedimos continuamente que sejam apuradas responsabilidades e punidos os culpados. Culpas e responsabilidades essas, que todos os anos morrem solteiras, mas que também nos pertencem, em parte.

 

(Na verdade, em que é que cada um de nós contribuí para que esta realidade se altere?)

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Não basta lamentar, tão pouco criticar, quando a responsabilidade é todos. Não basta prestar apoio e solidariedade emocional, homenagear as vítimas e os Heróis Nacionais que corpo a corpo, na sua frágil figura humana, enfrentam o inferno das chamas nas florestas portuguesas e lutam contra elas, numa tentativa de salvamento de vidas (humanas, fauna e flora) e infraestruturas.
Não adianta chorar sobre as cinzas de um país ardido e destruído anualmente, ficar em choque e cair hoje na real, para amanhã esquecer. É preciso atuar e sermos Unos, em prol de um país que é o nosso, protegendo territórios naturais que têm tanto de nossos quanto as nossas próprias casas.
Porque bem vistas as coisas, a Natureza é tanto património quanto pulmão de todos os portugueses (não somente das gentes do norte, como também do centro e do sul).

 

Hoje eles, amanhã nós ou os nossos. Porque não, não acontece apenas aos outros e é preciso atuar.

Por atentados desta natureza, será caso para usar a tag #prayforportugal

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