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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

26
Jan17

A melhor arma contra o ódio é o meu amor por ti

Rita PN

                        Imagem real. Cessar-fogo em Allepo, Síria. 22 de Outro de 2016

 

 

 

Troco todos os disparos pelo bater do teu coração. Troco o caos pelo sossego do teu peito e qualquer uma das minhas missões por uma só missão: fazer-te feliz.
Troco a guerra pela nossa paz e os meus gritos por sussurros ao teu ouvido. Troco a minha força bruta pelo sabor do toque suave na tua pele e pelo teu toque delicado, na minha.
Troco o desespero de milhares de mulheres e crianças, pela oportunide de poder fazer uma só mulher feliz, a minha mulher.

Troco o cenário de morte entre inocentes, culpados e inimigos, pela emoção de poder vir a assistir ao nascimento de um filho.
As noites mal dormidas em que acordo em sobressalto, troco-as por noites mal dormidas a dois. Os pesadelos pelos sonhos. O cenário de guerra e destruição, pelo erguer de uma casa - a nossa casa - crianças a correr, um cão a ladrar e nós abraçados a sorrir, perante tudo aquilo que juntos construímos e ao mundo trouxemos.
Troco os bombardeamentos aéreos pela beleza de um céu estrelado e pelo sorriso da lua ao teu lado.

 

Que seque a sede de vingança, estou sedento de te amar!

 
A arma, troco-a por um anel, a minha farda pelo teu vestido branco, no cantil já nascem flores de esperança e no meu rosto, outrora sisudo, um sorriso rasgado. Só o coração continua acelarado. 
Troco o necessário por uma felicidade capaz de reerguer toda esta cidade em ruínas - capacidade e poder que só o amor encerra.

Também já eu assim me senti, em ruínas, durante o tempo em que aqui não estiveste e sempre que fui eu quem não esteve aí. Quando pensei que o melhor para nós seria a separação. O teu mundo e o meu não combinavam, ou assim pensei ser. O teu sempre me cativou de tão belo e simples, delicado mas forte, repleto de sonhos e objetivos concretos, de pequenas coisas que aprendi a amar. O meu... do meu nem falemos.
Mas tu ficaste. Viste algo mais para além de um soldado, de uma farda, de uma mente formatada para ver em cada esquina um inimigo e dúvidar até da própria sombra. Graças a isso, o meu mundo agora é o teu. O nosso mundo.

Abdico de tudo pelo privilégio de viver o resto da minha vida ao teu lado. E ter-te do meu.
Quero que saibas que se um dia te considerei o meu ponto fraco, hoje sei-te o meu ponto forte. O melhor de mim.

Anda, vem comigo, há um lugar fantástico que só agora descobri. Um lugar onde só tu me soubeste levar, um lugar onde só tu soubeste chegar e onde pretendo que fiques.
Anda, vem comigo. O meu coração é já aqui.

15
Jan17

Na voz de um homem

Rita PN

 

 

Desculpa o atraso.
És sempre tão pontual e eu chego sempre atrasado, por vezes nem compareço. Desculpa o atraso, mas estive sempre ocupado. O trabalho e os meus afazeres diários. A rotina. A falta de tempo.
Desculpa o atraso nos “bons dias" e todos aqueles dias em que nem tos dei. Os teus chegavam sempre a horas.
Desculpa o atraso nas respostas às tuas mensagens, à tua presença, à tua atenção. Desculpa por todas as vezes em que não foste prioridade, mesmo em plena consciência de que, na maioria das vezes, eu sempre fui a tua.

 

Desculpa por todas as vezes em que não retribui os teus sorrisos abertos, o conchego do teu abraço e a doçura contidada em cada beijo teu.
O trabalho e a falta de tempo, ou todo o tempo que deixei passar embrenhado nos meus pensamentos, à volta de mim mesmo e fugi. Não de ti, mas de mim, do meu subconsciente que me dizia que eras tu quem eu queria ao meu lado, que eras tu quem me trazia tudo aquilo que sempre desejei, que eras tu quem ali estava sem qualquer obrigação, sempre à hora certa - nunca foi o momento errado.

 

Por fraqueza fugi. Porque sou fraco e tu és forte. Mas não tão forte que te seja indispensável a presença e o carinho de alguém, o conforto e o apoio nos momentos difíceis. E eu sou fraco e fujo, por cobardia, ao pensar que não sei como apoiar uma mulher que é dona de uma força soberba e que tanto admiro e que, apesar da muralha que construíu, ainda consegue ser doce, meiga, delicada e ter um dom comum a poucas, ser Mulher com letra grande.

 

Desculpa por todas as vezes em que não te olhei com medo de ver em ti o que sabia que iria encontrar. Por ver em ti os meus pontos fracos. Por te saber o meu ponto forte.
Desculpa o meu atraso sempre que precisaste de mim, e desculpa-me ainda mais as vezes em que nem cheguei.
Desculpa os momentos intensos que não vivemos, os passeios que não fizemos, as aventuras que não partilhámos, todas as noites em que não olhámos juntos para o céu nem adormecemos lado a lado.

 

Tu és a amiga, a amante e a mulher que sempre quis e eu só agora tive a certeza disso. E mais uma vez já venho atrasado.
Desculpa por não te ter levado a ver o mar, o por do sol e a lua, sei o quanto gostas. Mas ainda vamos a tempo. Prometo não me atrasar desta vez.

 

Desculpa por ser eu o meu próprio centro de atenções e desatento, não interpretar os teus sinais.
Tu chegas sempre a horas para tudo e mais alguma coisa, antecipadamente até para algumas. Tu chegas lá e fazes. E eu, cobarde, deixei tanto por fazer e dizer.

 

Só agora percebi que nos teus olhos vejo os meus, que no teu sorriso encontro o motivo do meu, que em ti encontro o que sempre procurei - e do qual andei a fugir todo este tempo. 

Desculpa-me por me achar fraco, por todas as idas e vindas, por todos os meus atrasos e pelas vezes que nem cheguei. Desculpa por me ter sido necessário já aqui não estares, para que eu percebesse que só permaneço estável, íntegro e completo ao pé de ti.

 

Desculpa, mais uma vez cheguei atrasado para dizer que Te Amo.

Sei que já aqui não estás, mas espero ainda ter vindo a tempo. Mesmo que te atrases, hoje sou eu quem espera por ti.

13
Jan17

Na voz de uma mulher

Rita PN

 

Não precisas de esperar. Eu não me vou atrasar. Afinal fui eu quem sempre aqui esteve à hora certa e no momento devido. Hoje não seria diferente. Chego uma vez mais, a horas, para te dizer que não esperes por mim. Durante todo aquele tempo em que tu ias e voltavas, te perdias de ti e te reencontravas, eu esperei. Esperei e sempre estive do teu lado. Mesmo atrasado, ias chegando, ias sorrindo, ias ficando, até ao dia em que a tua ausência prolongada ditou o meu afastamento.

 

Nunca te pedi muito, e o que pedi foi tão simples. Aquele minuto de atenção que nos faz sentir especiais. O respeito, o carinho e a consideração de quem se importa para com quem é importante. Tudo isso chegou até ti sem atrasos. A mim, foram muitas as vezes em que tão pouco os recebi. Porque tu, egoísta, vivias os dias envolto nos teus pensamentos, na tua rotina, na tua falta de tempo e nos teus maus momentos. Tinhas-me como presença certa e já nada fazias para que eu ficasse. Recorrias a mim somente quando mais nenhuma palavra te fazia sentido, quando nenhum conselho era tão válido quanto o meu, quando mais ninguém te fazia sentir seguro de ti mesmo ou te estendia a mão e te dizia “estou aqui”, quando mais ninguém te fazia sentir tão vivo o coração ou te despertava emoções que há muito não sentias.

 

Se precisavas de sorrir sabias onde encontrar o meu sorriso, se precisavas de um abraço sabias onde encontrar o meu, se precisavas de uma palavra, sabias que a minha seria a certa. Mas era sempre pela tua necessidade, e nunca pela minha ou a pensar que eu também poderia precisar de ti.

 

Como disseste e bem, sou forte, mas não tão forte que me seja indispensável o carinho, o conforto e a presença de alguém nos momentos difíceis. E onde andavas tu nos meus momentos de aperto? Desculpa que te diga, mas sempre que não me olhaste nos olhos para fugires de ti, sempre que não me agarraste com medo de a seguir me perder, sempre que não me amaste por cobardia, sempre que não me sorriste, sempre que não tiveste tempo ou paciência para mim, sempre que não chegaste ou deixaste algo por dizer ou fazer, tu não te atrasaste. Adiantaste-me sim a partida.

E enquanto tu eras o teu próprio centro de atenções e vivias embrenhado nos teus medos, nos teus pensamentos, nas tuas incertezas e na tua falta de tempo, eu vi o mar sem ti, a lua e o por-do-sol. Também não deixei de viver momentos sozinha, que queria viver ao teu lado, porque se tu me faltavas a mim, eu a mim não me falto. Sempre que fugiste de mim para não pensares em ti, acabaste por me perder ainda mais. E não só me perdeste a mim, como te perdeste de ti e perdeste muitos dos melhores momentos que tinhas para viver. São escolhas.

 

Agora, não me peças desculpa por tudo o que não fizeste ou não fizemos juntos. Se me conheces, sabes que prefiro a verdade dos atos à facilidade das palavras. E se de facto estás arrependido demonstra-mo sem atrasos.

 

Desculpa, o meu tempo está a terminar, a vida não espera por mim, o meu relógio não pára e há um lugar para ser feliz. Eu quero lá chegar a horas, por isso não espero por ti. Tu chegas sempre atrasado e outras vezes nem chegas.



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