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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Em Frente

Em frente, olha em frente para o caminho
dos lados, nada. Apenas uma mão
que se estende e te leva, calmamente e adiante
pelos buliçosos e cegos caminhos do coração.

Olha em frente para o destino,
para lá da curva da estrada, das intempéries idas
e do nevoeiro das manhãs outonais, que se esvai
tão depressa quanto a própria vida,
distraída, por aí…

Em frente!
Mesmo quando não vês
mais do que o ontem, talvez
possas abrir as cortinas
e pintar a aguarelas as memórias findas
e escrever degraus em verso,
aqueles de onde caíste, avesso
a tudo o quanto tinha que assim ser.
… e continuar a vencer
… e continuar a crescer
… e continuar a sorrir
… a amar e a sentir
que é em frente o caminho a seguir.

Olha de fronte para o sol,
mesmo que cego estejas
p’la escuridão onde viveste.
E respira devagar a Primavera
que te espera, para lá das minúsculas misérias
de uma Era de tragédias apressadas,
galgadas que foram as margens do valores
ancestrais e dos princípios boreais
da aurora da humanidade.

Em frente, olha em frente para o caminho.
Nunca nele estarás sozinho,
se souberes coser em abraços
os laços que jamais se irão desfazer.
Em frente, por onde a soma de dois é um
e o amor é o lugar comum
ao coração dos Homens
que em jejum, renunciaram à aceitação
do afeto.

Em frente.

Dá-me tua mão

Agora, difícil é expulsar o frio do inverno que parece ter atravessado o calendário, para além do seu tempo, instalando-se nas almas de quem ficou e viu partir, em cinzas, as suas primaveras.

 

MAUS TEMPOS

Agora nos calamos
E já não mais cantamos.
Nosso passo é pesado.
É a noite, o seu tempo é chegado.

Dá-me a tua mão,
Talvez que seja longo este caminho ainda.
E a neve cai, a neve!
O inverno em terra estranha nunca finda.

Onde está o tempo
em que uma luz, um lar por nós ardia?
Dá-me a tua mão.
Talvez seja longo este caminho ainda.

Herman Hess

Húmus

As minhas janelas não dão para lado nenhum.
Não há nada que se me mostre através delas,
as estradas e figuras que entrevejo,
não me levam a lugar algum…
perdeu-se o Homem e o ensejo
(lá no alto), pelo asfalto.

Há nos meus olhos cansaços vários
decorrentes do esforço exabundante
de sonhar desejos deficitários
p’la mão de Virgílio,
nas margens do Letes de Dante.

Constantemente me adio os escombros
inevitáveis, quando à meia, a noite cair
e o céu me esborrachar de vez a cabeça.
No inferno, todos se vão rir
e na terra, não há quem não me agradeça
a retirada.
Que maçada…
todos escolheram o domingo para morrer
e até nisso eu saí controversa.
Nem no princípio nem no fim. Exatamente a meio
onde a semana dispersa.
Avessa, pedi para assistir ao meu funeral,
enterraram-me, por isso, primeiro o caixão
(que dele quero morrer longe).
Queriam-me os sonhos em valas comuns?
Não.
Sequem as lágrimas choradas
e desacreditadas de religião.
A minha única fé é sonhar!
E quem sonha, nunca sonha em vão.

Alimentar-vos-á o húmus
da minha ressurreição
porque se morro, não morro toda de uma só vez
e o que por terra cai,
levantar-se-á outra vez
sem que vós me entendeis a mão.

Querem graça?
Peçam o óbulo à porta da igreja
que a vida não vai de bandeja
e eu 'inda estou no meu funeral.

 

As minhas janelas não dão para lugar nenhum.

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