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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

18
Jul17

Abarcar

Rita PN

É preciso escrever com as mãos limpas
o eco da poesia que corre
entre as margens de erro da vida;
e emendar o céu... 
com o olhar simples
de quem apanha as estrelas distraídas
e voa, para que se abracem,
encurtando a distância
que, sob qualquer circunstância,
cabe inteira num poema.
Sem fragmentos, respiração suspensa
e uma história imóvel
entre os gracejos de um copo de vinho
que aviva veloz, a memória da tua voz
doce e calma a léguas de mim…
É preciso corrigir a lonjura sempre que chove
e o dilúvio da cidade solitária se abate sobre os nossos corações.
… escorrem as emoções, ao sul
desaguando no mar azul
que te tráz...
e só termina nos meus olhos.

Abarca-me.

21
Mar17

Aos Poetas, neste Dia Mundial da Poesia

Rita PN

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Poetas.

Seres que só sonham. Seres que só sentem. Essa sede que têm de amar a tudo e a todos. Até à vida.

Poetas.
Esses seres que vivem do avesso. Com o coração de fora. Que estranha forma de vida!
Os Poetas de nada sabem senão da vida. E tudo o que sabem já é demais.
Os Poetas usam-te. Usam-te os olhos, o nariz, os lábios, cada fio de cabelo, até a sola dos pés. Descrevem-te os contornos e embelezam-te a alma, mesmo quando negra.
Já os vi usar paisagens, cidades, edificios inteiros, recantos escondidos, a terra e o mar, o céu, a lua, o grito e o silêncio, o Mundo. A guerra e a paz, o rico e o pobre, o bonito e o feio, o amor e o ódio.
Os Poetas são especialistas em sentir. Experimentam as suas mais diversas formas. São seres insaciados. Por isso tantas vezes morrem novos. Overdose de sentidos.

Poetas.
Estes seres obcecados com a musicalidade daquilo que dizem. De tudo o que vêm. Até do que escrevem.
A teimosia que encerram em querer pintar a vida. Acham-se donos das cores do arco-íris. E são.

Poetas.
Esses seres capazes de transformar o que dói num sorriso. O que fere em amor. O que mata em vida. A escuridão em luz.
Nunca vi ninguém venerar tanto um sentimento agreste como a saudade, quanto um poeta. Desconfio até que estes seres transformam qualquer presença em ausência, só para fruir de mais uns versos para escrever.
A verdade é que vivem com as entranhas de fora e mesmo assim, passam despercebidos. Não se fazem notar, nem sabem, eles próprios, se são bonitos ou feios. Repugnam o supérfulo, admiram o detalhe. Parecem alienados do mundo. Transmitem serenidade, mas se lhes abrires a cabeça protege-te do furacão de ideias e conhecimentos. Da inteligência.

Os Poetas estão-se nas tintas para o paleio e conversa fiada. Só querem escrever. Só querem sentir.
Alimentam-se sobretudo de amor e quando este lhes falta morrem devagarinho e gritam, gritam tanto que o silêncio ensurdece. E nascem poemas. Tristes. Mas que gostas de ler. (Excepto se deles fizeres parte. Aí repugnas a poesia).

Poetas. Poetas.
Ninguém se torna poeta. Ninguém almeja ser poeta. Alguns nascem poetas e só esses morrem poetas, porque foram poetas na vida.


E eu que não sou poeta (quanto muito poetisa), estou certa que no dia em que morrer alguns irão perguntar:
-Morreu? Morreu de quê?
E alguém lhes responderá:
-Coitada. Nasceu poeta.

13
Fev17

Reflexões - 8

Rita PN

Sempre tive a sensação que só vivi, realmente, aquilo que senti ou me foi permitido sentir. Aquilo que em mim ficou gravado e se expressa, ou expressou, através de emoções. Tudo o mais, foi apenas um nada que por mim passou.

        Rita

 

E a vida é mesmo isso, um conjunto de acasos, situações e ocorrências, de momentos e experiências em nós expressos e impressos através de emoções. Tudo o mais, é nada. É apenas o tempo que passa. 

22
Dez16

O caminho a seguir

Rita PN

 

 

Às costas carregava o tempo e nos pés os percalços do caminho. 

Não podia parar porque, embora de rosto voltado para trás, o relógio avançava e os ponteiros seguiam. 

Seguiam também os seu pés molhados, enregelados do frio, doridos do caminho, sentido cada pedra que pisavam, cada centímetro do chão.
Olhava em frente em busca dos seus dias, pensava para trás lembrando outros dias. Vivia e sentia no corpo a luta de todos eles.
Sem permissão, entravam-lhe pelos olhos as paisagens, pessoas cruzavam o seu caminho e os sons exteriores quebravam o silêncio, quando só o seu coração se ouvia – tum, tum,tum, tum – batimento certo, solitário porém, sem a musicalidade da vida.
Os ponteiros seguiam a um ritmo acelerado fazendo correr o tempo. Os pés acompanhavam e a vida alargava a passada parecendo, porém, não sair do mesmo sítio.
Olhava para trás o relógio, para a frente os olhos, para o presente os pés doridos e, à medida que se alteravam as paisagens, novos rostos surgiam, outros partiam, alguns ficavam. Apesar das mudanças, em Artur permanecia a esperança de chegar onde a vontade queria, de conseguir alcançar o que a força permitia e de nunca deixar de lutar pelo que sempre acreditou que um dia seria possível.
Sabia que numa dada hora o relógio viraria, permitindo aos ponteiros olhar  para o mesmo caminho que os pés percorriam. O ritmo acertar-se-ia e Artur passaria a acompanhar o andar do tempo e o correr dos dias sem fugir da vida. Cortaria metas, abraçaria conquistas, ganharia as suas lutas e teria finalmente a certeza de que havia valido a pena molhar, gelar, arrastar e ferir os pés para o conseguir!


O caminho não tem fim, a não ser quando o tempo pára e se esgota o tum,tum,tum,tum que o faz viver.

Apesar dos percalços, Artur não desistiu dos seus sonhos e deixou-nos uma grande lição:
Enquanto houver pés para andar, força para lutar, vontade de conseguir, olhos para ver, coração para sentir e cabeça para pensar, o caminho a seguir vai ser aquele em que realmente se acreditar!

18
Dez16

Lê-me como quem beija

Rita PN

 

 

Lê-me como quem beija e sente o toque das palavras na alma, o arrepio na pele e a suavidade nos lábios quando as lês. 

Lê-me como quem beija e deixa-te absorver por cada linha, em cada gesto escrito e descrito e em cada rasto sentido, deixado pelos dedos suaves de alguém ao escrever.

Lê-me como quem beija e deixa que os teus olhos pintem uma tela, um beijo em aguarela, ao sabor de um poema.
Lê-me como quem beija e sente o coração palpitar, a mente esvoaçar e o corpo tremer.

Lê-me como quem beija e deixa-te pelas linhas levar, sente os teus olhos a fechar de vagar e agora, a sonhar, relembra-me só mais uma vez. 

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