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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Hei-de beber do amor

Hei-de beber da taça dos teus lábios
o amor, ao entardecer.
E hei-de o saber, anunciado
pelo ruído de curiosidade da vizinha
sem cuidado, ao ver-te descer
a rua a correr…
e cair-me nos braços,
por mil embaraços no coração.

Hei-de te ter,
visão dos meus olhos ao anoitecer,
estrelas de um céu onde sonho
e acordo, para continuar a beber
da taça do amor que os teus lábios
me servem, quando pela manhã
raiam os teus cabelos de sol
na minha almofada.

Hei-de escrever,
pelas ruas da saudade
sobre a calçada do eco dos teus passos
lassos, quando saíres amanhã
e eu abrir amarela, a vista da janela
do campo de girassóis
dos teus caracóis, na minha lembrança.

Hei-de fazer correr tinta
por versos imersos na ausência
dos teus dedos nos meus.
Porque será a distância,
a única coisa em que tocam
para além da elegância da caneta
que te fez.
Criação da minha mente.

Hei-de beber do amor...

Nas letras dos meus sonhos

 Hoje levo-vos novamente ao baú. Recuemos aos meus 15 anos... Sonhar, sonhar, Sonhar!

Não sei porque escrevo,

porque sonho as letras,
porque canto as vírgulas,
ou porque ondulo nas frases
sem nunca chegar a um ponto.
Não sei porque vivo um texto,
nem porque desejo um conto
que nunca começa nos Às,
tão pouco termina nos Zês.
Não. Não quero parar!
Quero continuar a saltar
barreiras de capítulos;
escalar páginas sem cume,
remar ao sabor das sílabas
que ardem no meio do lume.
Quero partir das reticências,
sem nunca alcançar os dois pontos.
Trepar interrogações,
abraçar as exclamações…
e sem perder o ritmo,
escrever milhares de contos.

 

Quero casar com os nomes,
e ser íntima dos verbos,
quero namorar os pronomes
e fazer dos determinantes meus servos.
Quero ser chefe de imprensa
e quero, para sempre, sucumbir ao Poeta.
Quero uma prosa imensa,
não quero um ponto na meta!

 

Já li toda a Epopeia
e escreverei duas ou três,
sem perder a consciência
que no meu sonho de menina
era tudo "Uma Vez"!

Depois do sonho

 

 

Caminhava curvada. Postura adquirida durante o arrastar dos anos em que teimara segurar o peso da vida nas suas mãos vazias.
Não se desfizera do sentimento de culpa, assim como não havia sido capaz de por fim ao luto que dentro de si aprisionava e que, de negro carregadas, as suas vestes transpareciam ao mundo.
Tinha-o morto numa manhã nublada de outono, fazia 30 anos. 

 

-Tropecei e escorregou-me das mãos. Caiu violentamente no chão, esvaindo-me eu em lágrimas, nele a vida e em ambos a esperança. (Lamentava).

 

Antes verdes e viçosas nas árvores, também as folhas haviam dado lugar ao vazio e ao silêncio dos ramos nus. E no chão, um manto de vidas secas cobria o caminho trilhado por outras já mortas. Só o vento mantinha a sua força. E capaz de aproveitar os espaços vazios, seguia adiante enfrentando obstáculos, desbravando imperitos caminhos e varrendo para longe, à sua passagem, tudo o quanto nenhuma falta lhe fazia. 

- Tivesse eu a tua força e soprava toda a poeira que me cobre. Este peso que me sufoca o peito e me empurra contra o chão. Ai se vento eu fosse…– murmurava – Agora estou velha e cansada, demasiado fastidiosa para voar. Para aqui me fiquei, a ver nascer a certeza de que nada mais há depois do sonho. A noite não termina, o inverno não finda e a luz? O que me importa a mim se há luz, quando o meu coração já não vê. O que me importa a mim tudo o que os meus olhos alcançam, se nada mais há para além do que vejo. Só o peso das minhas mãos vazias e da minha alma vergada. Cada dia mais baixa, a cada hora mais perto do chão. Fui eu quem o matou e toda a minha vida pagarei por isso. Ai se vento eu fosse… eu que já nem espaço tenho para o deixar correr.

Dobrou em quatro partes o que restava do seu presente enrugado, abriu a gaveta da cómoda e fechou-o lá dentro. Deu duas voltas à chave e virou-lhe as costas. 

Não voltou a viver.



Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.
Fernando Pessoa

A última a morrer


Chego-te, através do horizonte



leve, ténue e casta brisa



profetisa,



envolta em névoa que solta,



te toca sem te tocar.



Em tudo me sentes.



Em nada me vês.



Mas crês que existo



e que de longe venho



contendo arte e engenho



(não olhas para trás).



Três passos mais perto



do fim do deserto



e miragem, ainda sou...



Reflectindo uma imagem



de sonho e coragem



que contigo acordou.


 


Não páras.



Sempre adiante,



filha de um acreditar constante



(não há tempestade que te apague).



Ao longe, o horizonte



em ti, uma fonte



onde bebes de mim...


 


... crês-me, sem fim



e chamas-me Esperança.

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