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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Ainda escrevo cartas de amor...

 

Olho para trás, na tentativa de compreender os porquês. Detalhes. Foram os detalhes. Só eles seriam capazes de chamar a minha atenção. O banal nunca me interessou. O comum existe a cada esquina. O igual reproduz-se a uma velocidade estonteante e já domina o mundo. O fútil? Esse repugna-me.

 

Tenho em mim aquela mania de mergulhar nas pessoas, de remexer lá dentro, de querer ver para além do óbvio. Entro de mansinho e arrisco o labirinto da mente, tentando nela não me perder. Se me cativa, vou mais longe e desço até ao coração. Aí, demoro-me um pouco mais. Há muito por ouvir, descobrir, compreender, e nem sempre um coração é elástico o suficiente para permitir e aceitar que alguém entre dentro dele. Nesse momento sou a intrusa. Sei-o.

 

E fui.

E sou.

 

Que ideia seria essa de teres alguém a morar no teu T0 todos os dias? Pior, a passear-te pela mente nas horas mais inoportunas? A compreender o que nem tu próprio compreendias, a encarar situações das quais fugias, a fazer-te olhar para o mundo com outros olhos e a descobrir nele, coisas que não sendo novas, nunca antes nelas havias reparado coma devida atenção.
Que ideia macabra essa de alguém morar no teu peito. Onde estava o teu direito à liberdade?

 

Mas eras diferente. Aos meus olhos eras diferente. Por dentro eras diferente, embora tivesses a necessidade de o esconder, de te proteger, por ser esse o teu ponto fraco.
Tentei ensinar-te que sentir não é fraqueza, mas sim um acto de coragem. Não sei se falhei, ou se apenas não quiseste aprender. Tentei ensinar-te que as pessoas não são todas iguais, que algumas – poucas - são exatamente aquilo que tu vês. Nada escondem. Não enganam. Tentei que aprendesses a ouvir mais o teu coração e não lhe abafasses a voz. Tentei desenlear-te a mente: descalcei-me e entrei lá dentro, desatei nós de um novelo emaranhado, e voltei a deixar-te entregue a ti mesmo.

 

Mas que ideia impensável era essa de alguém te querer bem, quando existe tanta mágoa no mundo? Jogaste pelo seguro e mantiveste-me à distância do teu coração, da tua mente e da tua vida. Ou, pelo menos, assim tentaste que sucedesse.

 

Hoje, olho para trás e é tão grande a distância que criaste que chego,  eu mesma, a duvidar que a vida - esta nossa vida - um dia nos tenha unido. Antes sonhei um sonho bonito?
Nunca fui ilusão, nem alguém escondido por trás de um olhar azul. Fui exatamente o que esse olhar te mostrava.

Apaixonei-me por ti por seres diferente. Por seres quem és, com todos os defeitos e qualidades. Com tudo aquilo que, até hoje, jamais encontrei em alguém. O meu Mal e o meu Bem.
Hoje, és as minhas perguntas sem reposta. A minha fraqueza. O meu medo de me voltar a magoar e cair sem qualquer amparo. Simultaneamente, consegues ser as minhas recordações mais bonitas. A letra de muitas músicas ouvidas. Milhares de palavras escritas. Fotografias guardadas. Conversas lembradas. E os melhores abraços apertados, com tudo o que dentro deles deixei e encontrei.

 

Hoje, ainda me pergunto se de facto existes...