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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Cerca-te de Pessoas que Te Inspirem

 

Pessoas. Terás sempre pessoas ao teu redor. As certas e as erradas.

 

Serás obrigado a aprender a escolher entre quem te vai influenciar positivamente e entre aqueles que pouco, ou nada, te acrescentarão. Serás obrigado a perceber quem são as pessoas que te elevam e quem são os negativos que te enfraquecem.

Chegará o dia em que sentirás necessidade de te rodear de pessoas mais inteligentes do que tu. E de sentir - apenas - as energias mais positivas e gratificantes, capazes de te acrescentar valor à vida. Pessoas que elevam, que te desafiam e te estimulam o pensamento, aguçam a sede de conhecimento e são uma lufada de ar fresco quando falamos em mentalidade. Pessoas com a capacidade de te fazer olhar para o mundo de forma diferente e, cujo caráter, segue uma linha idónea, a par do teu. Pessoas cuja presença seja um contributo para que te possas tornar, a cada novo dia, alguém melhor.
Pessoas que sabem utilizar tão bem o cérebro, quanto o coração. E estão contigo (e por ti) sem qualquer obrigação.

 

Estas são as tuas pessoas. Fundamentais para o teu crescimento e desenvolvimento pessoal. Para que a tua inquietude seja uma característica construtiva e jamais te impeça de respirar fundo e enfrentar os desafios naturais da vida.

São, também, quem te fará aprender que aquilo que recebes não será mais do que apenas o eco daquilo que emites. E que os locais que frequentas e o teu ciclo de influências interferem directamente com
o teu astral.

 

Quem queres ser? Quais são os teus sonhos e metas?
Quem são os que contribuem - sempre - para lá chegares e quem são aqueles que te desviam do caminho? Ou se ausentam nos momentos mais críticos?

Cabe-te a ti escolher as pessoas com quem te relacionas e saber atribuir-lhe o grau certo de importância e influência na tua vida.

 

Cabe-te a ti saber escutar o coração, mas é também teu dever saber ouvir as vozes certas. (As que te dizem o que precisas de ouvir e não aquilo que gostavas que te dissessem).

 

 

Há quem por ti passe tal como vês o tempo passar. E há quem com o tempo fique, ou ganhe um lugar para ficar.

 

A Falsa Felicidade nas Redes Sociais

UM DESABAFO... 

 

 

“Vivemos numa espécie de toxicodepêndencia digital”, quem o diz é o Professor e Psicólogo Eduardo Sá.

 

Sucessivamente agarrados às redes sociais, o smartphone tornou-se para nós um refúgio, evitando o diálogo e permitindo o auto isolamento na presença de terceiros. Construímos relações que não dependem do contacto pessoal e directo, da aproximação física, da partilha em tempo real do mesmo espaço, conversa, emoções, realidade envolvente, mas sim de uma conexão virtual. Lógicamente, a possibilidade da criação destes vínculos online permite-nos estar em contacto com um sem número de pessoas, contudo, e para que tal seja possível, é –nos necessário o isolamento. Só dessa forma nos é possível estar presentes nas diversas redes sociais e ligarmo-nos aos demais. Este fenómeno de nova solidão social tem vindo a instituir no seio da sociedade uma clara dificuldade no exercício do diálogo frente a frente, assim como no desenvolvimento saudável das relações humanas, sejam elas familiares, sociais, emocionais ou profissionais.

 

Paradoxalmente, dispomos hoje em dia de um conjunto de ferramentas diversas que nos ajudam a comunicar, mas que nem sempre nos ensinam a ser mais comunicativos. Vivemos no seio da “sociedade da comunicação”, mas cada vez mais nos viramos para nós próprios.

 

Em linha, nos últimos anos, tornámo-nos especialistas em descrever a nossa existência através de imagens (os pés na areia ou à lareira, as bebidas à beira da piscina, as festas de sábado à noite, os jantares, os almoços, os pequenos-almoços, a roupa, as férias, as viagens…)
Sem nos darmos conta, o nosso quotidiano viu-se inundado de “falsas felicidades” sustentadas por fotografias, tantas vezes capturadas e pensadas para o efeito.

 

O “estar bem” deixou de ser um caminho pessoal para se tornar uma imposição social. Mostrá-la, à felicidade, é uma exigência que colocamos a nós próprios e que, por consequência, projectamos para os demais, apenas aceitando quem dela partilha. As fragilidades do ser humano deixaram de ter lugar, assim como a consciência de que somos falíveis, que erramos, que choramos, que sofremos, que passamos por dificuldades num ou noutro momento, que a tristeza é tão válida quanto a alegria, que não acordamos nem adormecemos perfeitos, tão pouco 100% realizados e sem quaisquer problemas na vida.
E é esta "falsa felicidade" que tantas vezes cria, em quem assiste, um sentimento de inadaptação ao meio, frustração por não conseguir atingir determinados patamares de plenitude, objectivos que parecem tão fáceis de serem alcançados, desânimo por não emanar uma luz que, na verdade, é produzida e não natura, desalento por não se ser tão bem sucedido quanto aqueles que nos são mostrados, um sentimento de culpa pela falta de realização pessoal e por falhar no caminho para a aceitação segundo parâmetros questionáveis.

Na verdade, as imagens que diariamente publicamos não operam, nem trabalham sozinhas a estrada da plenitude. Necessitam de nós. Da nossa validação. Dos nossos “likes”, aplausos, comentários e partilhas que, por educação, nos são retribuídos.

 

“Arrasando” ou “Divando” por aí, num mundo condicionado pela opinião de terceiros, escolhemos mostrar a forma como queremos ser vistos, numa auto-representação quantas vezes exagerada da felecidade que: será que é nossa?
No caso do Instagram, a rede social mais utilizada para a partilha e difusão da imagem, são os próprios quem escolhe a estratégia relacionada com a forma como querem ser. Eu diria parecer. (Creio, entre tanta solicitação que o presente nos estende, não sobrar espaço para reflectir sobre o que se pretende realmente comunicar sobre si próprio). Assim, não rotulemos as redes como produtores gratuitos da “falsa felicidade” quando, na verdade, elas são meros veículos condutores, ou se quisermos, grandes vitrines pensadas para a exibição de modelos diversos.

 

É um facto que existe uma clara necessidade de aparentar ou seguir um determinado estilo de vida, e estado de espírito, e é isso que nos torna produtores e disseminadores da nossa imagem, em locais que nos asseguram o conforto necessário para o podermos ser – as redes.
E quando não produzimos, seguimos.
(Hoje em dia, trabalha-se exaustivamente o exterior e a sua transformação, deixando o interior à mercê da erosão pelo tempo).

Talvez estejamos a viver uma Era da indústria do culto da felicidade, a avaliar pela constante associação de produtos (vários) às fotografias, mostrando-nos como seriamos bem mais felizes se praticássemos o seu consumo. Este é o papel dos influenciadores de tendências, que tantas vezes caem profundamente na necessidade da partilha diária e recorrente desta falsa felicidade, aliada a uma estratégia de imagem. O tal querer parecer.

 

A felicidade são momentos que só geram um determinado estado de plenitude quando vividos realisticamente e desprevenidamente. Nunca quando nos preparamos previamente para eles.

 

Lido por aí: “ A Felicidade não se explica, não é palpável, mas sente-se. Entra e sai, nunca fica. É feita de um material cósmico, uma mistura de pozinhos de perlimpimpim com bocadinhos de arco-íris. Talvez também tenha um pedaço da Lua. Mas não é eterna. Não é total. Não é absoluta.”

 

Em suma e poeticamente falando:

 

Há um lugar sem nome
onde moramos, reféns
de um cognome que substitui
lugares antigos e que dilui, em si
e no tempo, as cores e os sabores
de uma identidade vivida
em fotografias antigas,
agora esquecidas, entre o pó
de objectos sem cheiro de amor.
Por temor de recuar no tempo
e voltar a bater à nossa própria porta
… sem ninguém para a abrir.

 

Somos lugares sem nome
a viver entre flashes
presos por um fio de redes
sociais e memórias instantâneas,
que depressa se esvai
p’lo buraco negro da solidão
que consome o sofá noturno.
Perdemos momentos,
ocultamos sentimentos,
desatentos à grandiosidade
do pequeno, à riqueza do detalhe
e à pureza do enamoramento da vida
que espreita à janela do coração.
Estendemos a mão,
rodamos a chave,
abrimos a porta,
mas não estamos lá…

Em nós, são tantas as ruas sem nome
que levam os outros a lugar nenhum!

 

As Valas

 

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Ao longe, tiros e rebentamentos. A coluna onde eu seguia, já para lá da saída de Cufeu, pára. Pelo rádio, o oficial da companhia que vinha ao nosso encontro, solicitava ajuda à aviação. Tinham caído numa emboscada e estavam a ser dizimados pelo inimigo.

Foi o apelo mais dramático de que tenho memória durante toda a Guerra Colonial. O oficial apelava à aviação para que bombardeasse tudo. Incluindo toda a companhia. A situação tornara-se humanamente insustentável, o inimigo avançava sobre eles em número bastante superior.

 

Quis deus que a aviação negasse o pedido. Perante terrenos minados e cheios de outros tantos obstáculos mortíferos, quaisquer quatro quilómetros se tornavam intransponíveis. Partir em socorro dos camaradas emboscados não deveria passar de uma miragem. 

Seguimos. Quem seguia nas viaturas saltou para o chão. A coluna avançava a bom ritmo, queríamos chegar a Guidage antes do anoitecer.

 

Um rebentamento. Dois rebentamentos. Três rebentamentos. Minas. Duas baixas irreconhecíveis e menos um pé. No local da emboscada, mortos, mortos, mortos e menos trinta e uma vidas das nossas.

 À chegada a Guidaje, fomos presenteados com água, algum alimento e gritos… gritos e mais gritos… mas estes de alegria. Disseram-me, porque eu já nem os distinguia. Gritos de alegria, o que quer que isso fosse. Desses, só conheci os da tua mãe enquanto, no limite das suas forças, se esvaia em sangue cor de júbilo para te dar a conhecer a luz do dia. 

Ali, o sangue das nossas colónias cheirava a perecimento. E as lágrimas, mais pesadas que todo o nosso armamento, sabiam a luto, ódio e potrefação.

 

Com a noite descemos às valas, que era onde se dormia em Guidaje. E depois da morte, também.
Fomos bombardeados três vezes durante a madrugada. Rebentavam projeteis, vidas e os ouvidos de quem ainda se mantinha alerta. A nossa artilharia respondeu e parou o ataque. Fizemos a contagem e quatro vozes não responderam. Uma delas, a do jovem soldado Raimundo, meu companheiro e conterrâneo desde tenra idade. A sua voz nasceu e morreu comigo.
O nascer do dia descobriu o sol, que por sua vez iluminou os rostos de tristeza. Era preciso reagir.
Sabes João Pedro, a morte é como o amor, aprendemos a conviver com ela de perto, ou à distância. Só é necessário arranjar uma maneira de nos irmos iludindo.

 

Nas valas não se dorme. E quando se dorme é para sempre.

 

 
(Baseado em factos verídicos e em 3 testemunhos reais que me foram relatados na primeira pessoa.)

Diz-me, o que é que te diferencia?

Vivemos, boa parte do tempo, julgando-nos - a nós e aos outros - sob parâmetros errados e pré-estabelecidos de ideais de sucesso e aptidões pessoais. 
Da mesma forma, são poucos os que não seguem o rebanho e param para refletir sobre qual é, afinal de contas, a sua genealidade. Essa característica inata, pautada por habilidades e talentos intrínsecos, capazes de tornar únicos os seus detentores. 

Ambicionar ser bom em tudo, sempre foi meio caminho para não se ser óptimo em nada. Aí reside a importância de nos questionarmos e apostarmos naquilo que nos pode, efetivamente, distinguir e fazer sobressair social e profissionalmente entre os demais: os nossos talentos inatos. A genealidade de cada um.

Diz-me, o que é que te diferencia?

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Não basta chorar as cinzas de um país ardido

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São já 61 as vítimas do incêndio que deflagrou ontem em Pedrógão Grande, um número que tende a aumentar à medida que é feito o reconhecimento de toda a área ardida. O número de feridos mantinha-se em 59, às 10:00 da manhã.
Segundo a Proteção Civil, foram mobilizados 692 bombeiros, apoiados por 215 viaturas e aguarda-se a chegada de meios aéreos espanhóis e franceses para ajudar no combate às chamas, que lavram em quatro frentes.

Num país anualmente devastado por incêndios, sejam eles consequência de causas naturais ou mão criminosa, continuamos a assistir a uma extrema dificuldade, por parte dos sucessivos governos, de tomar medidas efetivas que permitam prever, atuar e minimizar o número de catástrofes incendiárias anuais.

 

O ordenamento do território é um dossier que continua a ser descurado, não só no que à desertificação do interior diz respeito, mas também no que toca à má qualidade das acessibilidades, que tantas vezes condicionam o acesso rápido ao local. Também a distância entre as árvores e as estradas é hoje, por infelicidade daqueles que no IC8 circulavam à hora errada no local errado, um exemplo simples, mas mortífero da falta de planeamento e ordenamento do território adjacente às rodovias, sem qualquer faixa/área de segurança ou corta-fogo. Os projectos - de há anos - de limpeza e vigilância florestal continuam na gaveta e a criação de um plano cívico de mobilização para ajudar nessa tarefa também não é horizonte, até porque somos nós cidadãos, membros da sociedade civil, os primeiros a desresponsabilizarmo-nos perante essa actividade considerada serviço cívico.
Porém, pedimos continuamente que sejam apuradas responsabilidades e punidos os culpados. Culpas e responsabilidades essas, que todos os anos morrem solteiras, mas que também nos pertencem, em parte.

 

(Na verdade, em que é que cada um de nós contribuí para que esta realidade se altere?)

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Não basta lamentar, tão pouco criticar, quando a responsabilidade é todos. Não basta prestar apoio e solidariedade emocional, homenagear as vítimas e os Heróis Nacionais que corpo a corpo, na sua frágil figura humana, enfrentam o inferno das chamas nas florestas portuguesas e lutam contra elas, numa tentativa de salvamento de vidas (humanas, fauna e flora) e infraestruturas.
Não adianta chorar sobre as cinzas de um país ardido e destruído anualmente, ficar em choque e cair hoje na real, para amanhã esquecer. É preciso atuar e sermos Unos, em prol de um país que é o nosso, protegendo territórios naturais que têm tanto de nossos quanto as nossas próprias casas.
Porque bem vistas as coisas, a Natureza é tanto património quanto pulmão de todos os portugueses (não somente das gentes do norte, como também do centro e do sul).

 

Hoje eles, amanhã nós ou os nossos. Porque não, não acontece apenas aos outros e é preciso atuar.

Por atentados desta natureza, será caso para usar a tag #prayforportugal

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Beja Merece!

 

 

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Fomos centenas, os cidadãos que silenciosa, ordeira e respeitosamente, acolhemos o Sr. Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, na sua visita oficial à trigésima quarta Ovibeja.
Unidos por uma causa comum, em prol do desenvolvimento da cidade e respectiva região.

+Acessibilidades
+Desenvolvimento
+Aeroporto
+Comboio
+Saúde

Obrigada a todos os que se mobilizaram, porque #BEJAMERECE+


De seguida, deixo-vos as causas e os fundamentos que, ao longo dos anos, têm desencadeado as nossas mais diversas reivindicações. 

  • Comboios e eletrificação da linha férrea:

    O comboio chegou a Beja no ano de 1864, desde aí e até ao ano de 2004, a ligação a Lisboa era feita de forma indireta. A linha terminava no Barreiro, onde era feito o transbordo de barco até à capital.
    A partir desse ano e após a entrada em funcionamento da linha ferroviária na Ponte 25 de Abril, tiveram início as ligações diretas ente Beja e Lisboa, confortavelmente a bordo dos comboios intercidades. Uma viagem rápida e agradável, sem o constrangimento e a demora do transbordo. Esta nova ligação não só beneficiava os habitantes da capital do Baixo Alentejo, como também dos concelhos vizinhos, caso de Cuba, Alvito e Viana do Alentejo.

    Estudava em Lisboa nessa altura e recordo a lotação do comboio tantas vezes esgotada. Meio de transporte de eleição para jovens estudantes, empresários, famílias, doentes a carecer de cuidados de saúde apenas existentes na capital ou para um simples passeio.

    Julgámos que o progresso havia finalmente chegado, não fosse esta mesma ligação ter sido suspensa no decorrer de maio de 2010, para não mais ser reativada.
    Desde essa data até ao presente, sete são os anos em que a deslocação se faz a bordo do desconforto (e constantes avarias) de uma automotora com mais de 50 anos, até Casa Branca, onde é feito o transbordo para o intercidades da linha de Évora.
    Mas o desinteresse e desvalorização da linha férrea do sul não se restringe às ligações à capital, também o ramal de Moura, que servia tanto os habitantes deste concelho, como os do concelho de Serpa, foi desactivado no final do ano de 1989. Seguiu-se, em 2011, a ligação entre Beja e a Funcheira, que pôs fim à ligação férrea ao Algarve. Ligação esta que servia diversas localidades do sul do distrito.
    É necessário avançar com a eletrificação da linha e retomar as ligações diretas a Lisboa, porque #BEJAMERECE+


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  • A26 e outras acessibilidades rodoviárias:

    A A26 é outra das causas pelas quais o movimento #BejaMerece+ se debate. Uma autoestrada que deveria ligar Beja e Sines e que viu as obras paradas durante vários anos, depois das expropriações, das terraplanagens, dos viadutos e dos quilómetros já concluídos, tendo sido retomadas, de há alguns meses a esta parte, com 12 (doze) quilómetros de um troço não em autoestrada, mas em via rápida de quatro faixas sem portagens.
    Segundo António Ramalho, antigo presidente das Infraestruturas de Portugal, em 2015 justificava-se a suspensão das obras, uma vez que o tráfego seria inferior a “dez mil carros por dia”.
    É oportuno colocar a questão: “que tráfego justificou a construção de autoestradas como a A10, a A17 ou até mesmo a A13? E, comparativamente com 1 (um) quilómetro do Túnel do Marão, quanto custarão estes 40 (quarenta) quilómetros, em terreno claramente favorável a uma obra deste tipo?” - palavras de José Filipe Murteira, cidadão bejense e uma da vozes que integra o movimento #BEJAMERECE+ .

    A degradação do IP8 que liga Beja, Ferreira do Alentejo e a A2 é notória a quem por lá circula. O número acidentes de viação aumenta, assim como tem vindo a aumentar o número de mortes neste troço.
    Porque é necessário e temos direito a uma infraestrutura rodoviária segura e eficiente, é crucial concluir os 40 (quarenta) quilómetros da A26, que farão a ligação entre Beja e a A2.


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    IC27
    Ainda segundo José Filipe Murteira, “em 2005 foi concluído o plano de impacto ambiental da ligação do IC 27 entre Alcoutim e o IP2, próximo da Trindade, documento que custou mais de 400 mil euros. São cerca de 60 (sessenta) quilómetros que faltam concluir, ligando assim os concelhos de Beja e Mértola a Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António e melhorando também as ligações entre Évora e todo o interior a essa zona do Algarve.
    De acordo com o plano, o objectivo principal para a conclusão dessa via é o «aumento das condições de segurança e a diminuição do grau de sinistralidade», tendo em conta as caraterísticas da actual ligação, a EN 122.
    Os anos passaram e a obra não avançou, até que, em junho de 2012, uma fonte do governo de então, anunciou a sua suspensão definitiva, dado que o troço que falta ao IC27 se encontra «assegurado pela EN 122 e que, face à reduzida procura, essa estrada responde às necessidades existentes».
    Os vários acidentes, os mortos e feridos provam que afinal, isto não é verdade e que é necessário concluir o IC 27.”

 

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  • A população jovem no Concelho e Distrito de Beja

    No seguimento de um apelo ao jovens, feito através do meu perfil de facebook, tomei a liberdade de recorrer às estatisticas dos Census 2011 e divulgar os dados que considero de extrema importância:

    Em 1900 (há 117 anos) eram 4982 (quatro mil novecentos e oitenta e dois) os jovens com idade superior a 15 anos a residir no Concelho de Beja, sendo 30945 (trinta mil novecentos e quarenta e cinco) em todo o distrito.

    Em 1950 o número tinha duplicado e eram já 8454 (oito mil quatrocentos e cinquenta e quatro) no concelho e 53810 (cinquenta e três mil oitocentos e dez) no distrito. 

    Segundo este estudo, em 2011 o número de jovens a residir no Concelho de Beja caiu drasticamente para 3571 (três mil quinhentos e setenta e um) e para 15086 (quinze mil e oitenta e seis) no distrito.

    Decorrido um século, a população jovem no concelho regista mínimos nunca antes vistos o que, para mim, é deveras preocupante. Muito se deve à emigração, à procura de melhores condições de vida, à falta de emprego, à reduzida oferta educativa, à pouca estabilidade para que aqui nos fixemos e possamos construir uma vida mais digna, que nos permita realizações pessoais e profissionais e futuros mais promissores.

 

  • Aeroporto

    Sobre este tema já muito se falou. Não me vou alongar, deixo-vos um pouco da minha visão, aqui.

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Por baixo da pele

 

Por baixo da pele não há quem és.
És outro, que não tu, que não quem eu vejo
que não quem diz ser.
Por baixo da pele, a carne não cheira
a impunidade. A sensatez.
E a dignidade, que era robustez,
se desfez
deixando à vista os estilhaços.
Enchumaços d’hipocrisia
que te perfuram a pele e se mostram nus,
mas tu não os vês.
Sentem eles. Aqueles que ferras, sem te dar conta.
- À flor da pele -

 

Há no teu sangue crimes de guerra
que a sociedade enterra, para não ver.
- Será ela quem diz ser? -
Há nos teus ossos destroços
de vidas perdidas
que a sociedade ignora. Foram esquecidas,
para bem da superfície da pele.
Há nos teus órgãos delitos
e conflitos, por divergências
de pigmentação, orientação e religião.

Já me cheira a fel o teu hálito,
por tanto de nós devorado
desrespeitado, assaltado, derrubado e escravizado.
Por baixo da língua, diz-me, quantos em ti morreram?
Cemitério do povo
que engolido e ferido te desceu às entranhas
e te conheceu,
por baixo da pele...

 

Conto-te, nos olhos, o misseis
prontos a disparar, quando finges chorar
por aqueles que às tua lágrimas morreram.
Quando pensaram lavar-se do mal com que lhes tingias o corpo.
Há campos de concentração e de horror
por baixo da pele.
E é já irrespirável, no ar, o fedor
dos gases que expeles,
que sufocam crianças e adultos inocentes,
os deixa inconscientes e, por fim, os mata
à mão de interesses que tatuaste
à superfície da pele.

Sempre que o teu ódio rebenta,
levas contigo dezenas, até centenas.
Verdadeira tormenta para quem só quer paz.
E tu, farto de
bum, bum, bum…
pás, pás, pás…
pum, pum, pum…
Zás,
fazes uso do crânio
e lanças o urânio
que tens debaixo da pele.

Essa, já podre, que a todos nos serve de mortalha.

 

A guerra não cabe numa caixa de sapatos

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A guerra nunca foi restrita a quem nela combateu. Nunca foi uma realidade com tão pouco tamanho que se pudesse colocar numa caixa, fechar a tampa e arrumar. Como aos sapatos se faz. Aqueles que calças e te testemunham os passos. Os que pisam o chão já por outros pisado, ou por ti desbravado. Aqueles, cujo desgaste das solas é indissociável do desgaste da vida. 

Diz-me meu neto, quantos sapatos tens e quantos trilhos traçaste?
Não mo digas, acaso sejam mais os sapatos guardados do que os quilómetros de vida por ti percorridos.
Nunca o conforto dos pés – em caminhos que não são os nossos - deverá suplantar o conforto da vida. É no desgaste das solas que o Homem se vê.

Desde o começo que a guerra afetou toda a sociedade – mesmo que o sistema o negasse. Primeiro, com o sofrimento da despedida daqueles que, como eu, partiam para África. Depois, com as notícias das primeiras mortes e feridos, que foram uma constante durante os anos que se seguiram.
Na frente de combate não era frequente privarem-nos de ração – que combinava com a nossa nova face primária - armas, munições e fardamento. Contudo, na retaguarda, subia o número de feridos, que se amontoavam nos pequenos hospitais militares, inadaptados e incapazes de suprir as necessidades e os cuidados de que os feridos em combate careciam.
Nascia assim, aquilo a que no seio das Forças Armadas se chamou Exército de Deficientes, que eu suavizo e apelido de Cagulo Bolorento do Exército.

Na verdade, esta linha do exército não parou de aumentar, eram cada vez mais os jovens soldados que, na flor da idade, ficavam cegos, contraíam doenças graves – algumas incuráveis -viam os seus membros amputados, ou que desenvolviam distúrbios do fórum psicológico. Jovens, cuja flor nem tempo teve para murchar, tamanha foi a violência com que viram as suas pétalas arrancadas - Tu não sabes, não tens como saber o que é sofrer uma poda definitiva na vida. Mas esses, os que a sofreram, sabem-no. Neles, jamais a vida se renovou. Tão pouco com a chegada da primavera. 

Também o número de caixões transladados aumentava, privilégio daqueles cujas famílias podiam pagar, posto que os custos da morte não eram suportados nem pelo regime, nem pelas Forças Armadas Portuguesas. Os outros, ou eram enterrados nas zonas de combate, por falta de meios de transporte ou, com mais sorte, viam a sua última morada gravada numa chapa, nos cemitérios organizados pelas forças militares, junto às suas bases operacionais.

Sorte? Dizes tu. Sim, essa força sem propósito, imprevisível e incontornável que desencadeia acontecimentos mais ou menos favoráveis para o indivíduo. Entre morrer vivo e assim continuar - apenas existindo - até ao derradeiro fechar de olhos, e entre ser enterrado no mato, que se morra definitivamente - e de uma só vez - e se seja enterrado condignamente.


Os deficientes da guerra sempre constituíram a face mais visível e transparente dos confrontos, aquela que, ainda hoje, a sociedade mais dificuldade tem em encarar. 
Na época, considerados “inválidos”, estes homens foram um pesado fardo para as famílias que se viram obrigadas a esconde-los, como se de impostores se tratasse. Enquanto os hospitais militares foram o refúgio para tantos outros. Tudo porque, oficialmente, Portugal não se encontrava em guerra e a aparição em praça pública de corpos amputados, homens em cadeiras de rodas, cegos ou transparecendo distúrbios vários, poderiam levantar interrogações incómodas para o regime, a respeito do que que era, afinal, a realidade nas colónias de África. 

 

Um regime, cujos passos eram incontestáveis, mas que não mostrava as solas. Um regime, cujos sapatos, à medida que pisavam terreno pantanoso, eram de imediato substituídos. Um regime que fechava em caixas as vidas que pela pátria eram dadas. Muitas delas detonadas, por minas que se ativavam na sequência de um passo em frente – alguns dirão em falso - por aqueles que em nome de Portugal combateram.

Pensa agora meu neto, quantos são os sapatos que tens e qual a sua história?

Fomes

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Comia-se mal e passava-se fome. Muita fome. A desorganização que se vivia e a falta de meios aéreos, ditava que não fossemos abastecidos corretamente. Existia, porém, algum apoio logístico a nível alimentar, mas apenas quando nos encontrávamos junto às viaturas. Se tal não acontecia, a nossa alimentação era baseada em ração de combate. Duas latas de atum e sardinha e um pacote de bolachas de água e sal, já com bolor. À exceção de um ou outro cabrito roubado, abatido e assado por nós, ou de meia dúzia de papagaios que por ali se matavam. 

Houve alturas em que a escassez alimentar tomou proporções tais, que passámos a alimentar-nos de mandioca crua, do pouco que conseguíamos roubar nas povoações e daquilo que nos era dado a troco de favores que iam desde os curativos aos sexuais.

 

Nesta altura éramos já - e apenas só - animais do mato regidos por instintos, em busca da satisfação das necessidades mais básicas e primárias do homem.
Não me orgulho João Pedro, não me orgulho de perder a racionalidade e permitir que o desejo carnal se transformasse em algo tão básico como apenas fome de carne, que saciei em vários corpos diferentes.
Não sei quantos filhos deixei. Nem se os cheguei a fazer. Um homem quando age assim não é digno de procriar, tão pouco é meritório do milagre da vida.

Corpos. Eram apenas corpos. Tanto os que caiam em combate, jaziam e apodreciam ao nosso lado, como os outros. Os delas. As que nos serviam o pecado tição.
Exceção feita à delícia do beijo da poesia negra – Shaira.
Recordo os seus lábios carnudos a aproximarem-se dos meus num beijo que começava terno, calmo e molhado, mas que depressa me dominava e possuía. Entranhava-se em mim. Pedindo-me que me entranhasse nela. Que entrasse nela e me demorasse com ela.
Não teria mais do que os seus dezassete anos e as proporções exactas num corpo poeticamente desenhado, que me pedia para ser lido e sentido ali mesmo, no intervalo preciso entre a hora da morte e o exato segundo onde o meu coração começava.