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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Amanhecer-te

Hoje acordei contigo. Com a ternura que deixaste e preservo no meu peito. Acordei e lá estavas tu, enérgico, como a trovoada que se bate sobre mim. Presente na memória dos objectos e das fotografias, abraçaste-me a delicadeza com que preparei o café. Servi-to, na quantidade extacta com que me inundas de lágrimas o peito. Longe, a baía dos teus braços, que me envolvia em marés de amor.
Hoje acordei contigo, na dor da minha almofada, junto à candura dos sonhos que ficaram por viver. Abri as janelas, que anteriormente tinham vista para os teus olhos, e demorei-me na contemplação da saudade.
Hoje acordei contigo e debrucei-me, para lá do que pode a razão, sobre o horizonte eterno e fugaz onde o amor se deita, e vi-nos cair, sem estrelas que nos amparassem, do céu onde te quis todas as auroras.
Hoje acordei contigo, sem que ontem te tenhas vindo deitar ao meu lado.
Hoje acordei contigo e nem eu estava lá...

Esta noite, vou procurar no mar que me fez marinheira, a luz do teu sorriso, antes que a eternidade escureça e a melodia que somos, e que ainda oiço, pelo buraco negro da dor se finde.

 

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Fizemos o mar...

Não tenho mais do que o sonho em que adormeço. E que me envolve, apertando seguro, o peito que aberto arde. Invariavelmente diferentes, os versos que me fazem, a ti os dei, como o mar oferece à Lua o seu reflexo.
Éramos só nós. Inconfundivelmente desenhados no cândido voo das gaivotas livres, manchando o céu, despertando a aurora do amor. Nos teus braços de poeta, rimou o meu coração com as histórias enamoradas onde nos deitei. Nascíamos ao pôr-do-sol, ao ritmo das estrelas claras e adormecíamos no horizonte do amanhã, depois do breve, mas lento momento em que o céu e o mar se fundiam.
Navegadores ao largo, fizemos o mar.
De marés vivi, assolada pelas ondas marginais de um amor que me fez naufrago o peito. Faz frio. O vento corta e coração arrefece, padece, falece…
Não tenho mais do que as memórias, nuvens e insónias de tudo o quanto de nós ficou. Nada nos deixa, tudo se transforma, na medida extacta das asas das gaivotas, agora em terra.
Abortados os voos, permaneço ao largo, na praia que existe em mim. Neste repetir do verso final que sou. De peito aberto e ferido…


Dói-me o amor.

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Antes Existir

Passos frios,
de pedra em pedra, calçada
desgastada pelas solas do silêncio
amargo e profundo, mel no olhar derramado,
lentamente, à passagem das mãos vazias
pelos dias.
Vai tudo dormir.
Ouve-se o reflexo da lua no mar
r e v o l t o. E o amor antigo 
que os cascos dos navios fazem 
com a tempestade.
Vai tudo dormir.
Os jardins descansam.
Cheira a melancolia.
Travo a estrelas cadentes,
nos bolsos guardado;
enjeitado sonho taciturno, 
passeio noturno
pelo calçadão da vida. 
Vai tudo dormir...
... quando, um dia, se abate
o lençol de pedra sem arte.
Antes existir!

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Pintura: Crepuscular Homem Velho, 1918 por Salvador Dali

 

 

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