Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Monólogo

Podias ser só a luz

dos astros ao cair da noite.

Podias ser só o voo, 

inquietação de uma pomba livre,

no meu peito.

Podias ser a vaga que rebenta na areia,

cântico de sereia que me embriaga

o leito, onde me deito a braços com os versos

de amor dos poetas noturnos.

Podias ser só a intempérie, 

tempestade congérie de infurtúnios 

que me inundam o entardecer dos sonhos,

pôr-do-sol da vida, horizonte inacabado...

Podias ser só a navegação

de um casco de navio à deriva

no meu coração, calmamente abandonado

em mar-alto e revolto.

Podias, ai se podias...

Limitar-te ao amanhecer claro dos meus olhos, 

onde te perco, 

me reencontro,

me desvio e retorno

a encontrar-te.

Podias ser...

(Podia)

ser só o meu princípio inacabado.

 

(Mas sou, sem poder ser, tanto mais... e nunca findo!)

 

 

 

 

Travessia

Atravessar a humanidade deserta,
de mochila às costas
e beber do sossego das pontes
que me unem.
Externa, do lado oposto do mundo,
ligo-me p'lo coração
às paisagens suburbanas,
ao chilrear das aves no campo,
à ternura bucólica de uma tela,
que pela janela, baixa-mar dos meus olhos, entra serena.
Atravessar a devastação
das almas vazias e esperança morena,
ardida a chama,
por que ao mundo vieram?
Naufragar nas cândidas águas de um rio.
Ser nenúfar.
Flutuar num pântano.
Não saber de nada.
Nem de mim.
Partir.
Rufar como tambores em surdina,
gritar como o silêncio, para lá da rotina
e ligar-me p'lo coração,
à paixão. Poema vivo.
Para lá de mim, a humanidade.
Para cá, a caminho do meu ser,
as pontes, o mar, o sol, as flores,
os vales, o arco-íris, as fontes,
o luar, o amor e o acreditar que
externa, do lado oposto do mundo,
hei-de chegar, eterna e devagar,
a leves braços humanos
onde inteira possa ficar
...
E ser poesia.

 

Reflexões - 15

A escrita é uma reta que me toca na curva, sem me cortar e com a qual partilho todo o universo de um ponto em comum.
A escrita é uma tangente de mim.

                                                                                                                                                 Rita

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D