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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Quando uma Guitarra se Cala

Porque hoje é, foi e sempre será o teu dia, avô! ♥

 

Quando eu era pequenina
e me sentava a ouvir-te tocar,
sonhava em ter as tuas mãos,
esse ágil dedilhar.

 

Acordes de uma vida,
notas tantas vezes tocadas...
melodias gastas, outras sentidas,
cordas com alma se p'los teus dedos pisadas.

 

Corria-te o Fado nas veias
e era tua a guitarra
que, por paixão, acompanhava
vozes ainda sem nome.
(Pudesses tu nesse tempo prever,
que por elas o Coliseu esgotava).

 

E enquanto essas vozes se elevam,
a tua guitarra nunca mais se ouviu.
Ficou a carcaça do Fado,
e a alma? Essa partiu.

 

A alegria de tantas notas,
os acordes com que cresci,
mais ninguém os sabe tocar
e eu nunca mais os ouvi...

 

As cordas envelheceram.
A guitarra já não toca.
O avô não está em casa.
E o Fado é só Saudade.
(Esse é o fado que trago).
Os anos passam
e eu já não sou pequena...
nem me sento a ouvir-te tocar.
Não porque grande esteja,
mas porque és tu quem já não está
para com o teu mágico dedilhar
me fazer sorrir e sonhar...

 

Quimeras

Quimeras!
Das janelas abertas,
telas brancas anoiteciam
e monocromáticas, figuras se erguiam
passando-me ao lado...
Alado bailado, só. Completamente só.

 

A noite descia rasa e descalça
para me sonhar na sombra inquieta e livre;
mas encalça a surdina das flores macabras
que me viviam no (para)peito
e desfeito, rolou o silêncio do vaso,
as cigarras e o acaso verde-azul
que ali nascia
Rua a baixo corria...
Rua a baixo sentia
as mãos ladras da noite vadia
devorarem-me, só. Completamente só.

 

Escorriam das paredes das esquinas Renacentistas
"Maldições Sobre Filósofos",
enquanto Descartes dormia
E a "Utopia" de Thomas More adormecia,
a par da noite que negra possuía
todas as cores da tela de Michelangelo,
"O Juízo Final" acontecia!

 

Sucedia que, por vezes,
traças vorazes lhe comiam negras
as vestes de cerimónia,
como punhais luzindo.
Rendilhado estrelado manto, sorrindo.
Ladainhas de estrelas, e delas fugindo,
as mártires sombras da madrugada caindo,
dizimadas pela luz das telas brancas
Janelas abertas
Quimeras!

 

Quero ir até à mais forte luz,
tocar-lhe e chegar além.
Cegar-me da escuridão
E quero findar-me no grau superlativo absoluto...
...
...
Quero reencontrar-me! Só.

 

É preciso (re)ensinar os pássaros a cantar nos beirais.
É necessária a melodia do dia ao nascer.

Gira-Discos

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Somos discos, girando numa caixa (vida, chamam-lhe), emitindo o que, para alguns, são bonitos acordes, melodias capazes de fazer transbordar os sentidos e a alma, notas de inspiração, pautas de amor, claves de sol de sorrisos... mas que, para outros, são sons, ruídos vazios e dispersos, sem tom, sonoridade ou sentido.

Giramos. Todos os dias rodamos sobre nós próprios. Dia e noite, noite dia, ciclicamente enquanto a terra não nos devora e o disco que somos não deixa de se ouvir. 
Ouvimo-nos?

Giramos... 
Observamos quem gira em redor. 
Giramos... 
Voltando sempre ao início da faixa de onde, afinal de contas, partimos. 
Giramos sozinhos, só fazendo sentido quando nos cantam, quando nos tocam, quando nos ouvem, quando nos sentem.
Giramos, em roda viva reinventada, desde o nascimento até à morte. 
E tocamos, tocamos até que o cansaço nos vença, que a vida não passe de um vinil riscado, que as notas percam o sentido e nada mais toque senão o desgaste. 
Ou tocamos, rodopiando para sempre, no coração, espaço-casa, de quem seja capaz de dançar por nos ter.

 

(Giro, giro, giro... e não sou nada.)

A entrega de prémios da 1ª Edição do Prémio Literário Do Mosto à Palavra

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Decorreu no dia 27 de Maio, em pleno Alentejo, na Herdade do Monte Novo e Figueirinha a entrega de prémios referentes à 1ª edição do Prémio Literário Do Mosto à Palavra.

Num evento improvável, resultante da parceria entre uma Editora, uma Imobiliária e uma Adega, que reuniu participantes oriundos de todo o país, celebrou-se à boa maneira alentejana a Palavra escrita, falada, cantada e bem regada.

Numa visita guiada à adega, falou-se sobre o processo para a elaboração de um bom vinho, tantas vezes o melhor aliado da inspiração literária. A mesa de tertúlia ficou a cargo do actor, humorista, escritor, cronista e dobrador Bruno Ferreira; do compositor, escritor e músico Luís Espinho e do reconhecido compositor, músico, escritor e desenhador  Paulo Abreu Lima. O Eduardo Espinho e a Sandra Martins (vencedora do programa Ídolos em 2010) brindaram os presentes com deliciosos momentos musicais, estando a música ambiente a cargo do DJ Goove (Pedro Palma Nascimento).

Os prémios foram entregues pela mão do Gonçalo Martins, CEO da Chiado Editora; da Maria Helena Palma, directora da agência imobiliária Hall Paxis e da Dra. Cristina Cameirinha, que representou a Adega em nome do proprietário Filipe Cameirinha Ramos.

No final, degustou-se o sabor do Alentejo, num casamento perfeito entre os vinhos da casa e os famosos petiscos da região.

A lista de premiados pode ser consultada aqui e o álbum de fotografias encontra-se disponível aqui.

O meu sincero obrigado a todos quantos participaram e tornaram possível a realização deste evento. Espero por vós em breve, aquando do lançamento da Antologia Do Mosto à Palavra, livro que irá reunir as quase 400 participações recebidas.



NOTA: Ao clicar sobre o nome dos intervenientes, é possível ler as entrevistas dadas no âmbito deste evento. 

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