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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Terra Fértil

Veio o vento soprar-me ao ouvido de menina,
segredos de um país distante.
Cheirava a terra molhada
e a sonhos prometidos.
Não sei se era o futuro, ou a saudade
de tudo quanto ainda não vivi.
Se era uma ou outra,
qualquer coisa entre elas,
ou mais ou menos isso.

 

Estalava a madeira no prolongamento da madrugada,
como as cartilagens estalam aprisionadas no meu corpo.
Cheirava a despedida
e choviam passados lá fora.
Feitos de lágrimas, os Homens eram todos feitos de lágrimas.
Sem cheiro a terra molhada,
sem a candura poética
de quem sofre ou ama,
sofrega e desesperadamente,
ou de vagar, muito devagarinho, de mansinho
como passarinho em ninho de sonhos.
Nada. Nem uma coisa nem outra.
Tão pouco qualquer coisa entre elas.

 

Veio o vento soprar-me ao ouvido de menina,
a canção de um país distante.
Para lá da linha, para lá dos olhos,
para além da imaginação.
Se era o futuro ou a poesia, não sei.
Fusão de ambas, talvez.
És terra. Sou chuva.
Casa fértil, sonhada para lá do horizonte.
Nosso, o jardim de terra molhada, onde brotam sonhos
com cheiro d'amor.

 

Vieste tu soprar-me ao ouvido de menina,
a poesia do coração.
Demos as mãos...
... hoje, ainda cheira a terra molhada!

Verão Fúnebre

Oh pátria, herege pátria!
Passasse um cometa no teu rosto sepulcral…
Soasse longínqua a harpa de Orfeu
e chovessem, pela mão direita de Zeus,
sobre os teus cabelos de ouro,
águas mansas de cristal.
Deserta até ao osso,
tráz o verão a morte à terra;
notas graves, cânticos de fogo,
severa estiagem, fundo sem poço,
ventos mortais, cinzas na serra,
secas estivais, a sede impera…

 

- Ansiada quimera! – grita o Homem

 

sem condenação,
assistindo ao enterro da Fénix
cem vezes morta pela mesma nação.
Corações descalços caminham sobre a cinzas;
choram-se lágrimas cansadas sobre a semente do pão;
Heróis de cá e lá empenham as suas vidas
em cenários de horror e destruição.
(E tu a ver...)


Em tempos de opinião, letais são mãos da razão.

 

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