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Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Conta-me Histórias

' O Homem é sempre um contador de histórias. Vê tudo o que lhe acontece através delas. E, ele tenta viver a sua vida, como se estivesse contando uma. ' (Jean-Paul Sartre)

Terra Fértil

Veio o vento soprar-me ao ouvido de menina,
segredos de um país distante. 
Cheirava a terra molhada. A sonhos prometidos. 
Não sei se era o futuro ou a saudade,
de tudo quanto ainda não vivi.
Se era uma ou outra, qualquer coisa entre elas, 
ou mais ou menos isso.

 

Estalava a madeira no prolongamento da madrugada, 
Como as cartilagens estalam aprisionadas no meu corpo.
Cheirava a despedida. E choviam passados lá fora. 
Feitos de lágrimas, os Homens eram todos feitos de lágrimas. 
Não cheiravam a terra molhada, 
não sabiam poesia, 
nem regavam os seus sonhos.
Nada. Nem uma coisa nem outra.
Tão pouco qualquer coisa entre elas.

 

Veio o vento soprar-me ao ouvido de menina, 
a canção de um país distante. 
Para lá da linha, para lá dos olhos, 
para além da imaginação. 
Se era o futuro ou a poesia, não sei. 
Fusão de ambas, talvez.
És terra. Sou chuva. 
Casa fértil, sonhada para lá do horizonte.
Nosso, o jardim de terra molhada, onde brotam sonhos
com cheiro d'amor.

Vieste tu soprar-me ao ouvido de menina, 
a poesia do coração. 
Demos as mãos...
... hoje, ainda cheira a terra molhada!

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